TRIBUTO AO FADO, TRIBUTO À LIBERDADE celebra 50 anos de Democracia

A ACADÉMICA DA MADEIRA assinala o 50.º Aniversário do 25 de Abril com quatro eventos. A 13 de abril, a apresentação do primeiro “o primeiro trabalho, cientificamente realizado no âmbito da História, sobre a Revolução do 25 de Abril na Madeira”, de Lino Bernardo Calaça Martins. A 24 de abril, os Fatum participam do “Concerto Monumental dos 50 anos do 25 de Abril de 1974”, promovido pela autarquia do Funchal. No sábado, 27 de abril, o grupo de fados sobre o palco do Centro Cultural e de Investigação do Funchal para o espetáculo “Tributo ao Fado, Tributo à Liberdade”. A exposição “É Proibido Proibir” encerra a programação no final de abril, promovida na Universidade da Madeira.
João Freitas e Carlos Abreu, nos instrumentos, dos FATUM, o grupo de fados da ACADÉMICA DA MADEIRA, no sarau de maio de 2023, na antiga capela de N. S. de Belém, no Colégio dos Jesuítas do Funchal.

Os bilhetes têm um custo de 3 euros e podem ser adquiridos na Ticketline ou na bilheteira do Teatro Municipal de Baltazar Dias.

Em 2024, celebram-se 50 anos da Revolução dos Cravos que iniciou a democracia em que vivemos, após décadas de ditadura.

Este ano, completam-se precisamente 62 anos do tumultuoso ano de 1962 que ficou marcado por dois outros eventos que fizeram tremer o Regime: a Crise Académica, iniciada em Coimbra, mas que rápido se alastrou a outras instituições de ensino superior, também energeticamente reprimida pelas autoridades; e a Revolta das Águas, na Madeira, da qual se emergiu a mártir popular Sãozinha, na sequência de um confronto contestatários com a polícia.

Assim, nas palavras do presidente da Direção da ACADÉMICA DA MADEIRA, Ricardo Freitas Bonifácio, “a realização do concerto de fado, intitulado “Tributo ao Fado, Tributo à Liberdade”, nas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, no Centro Cultural e de Investigação do Funchal, destaca-se como um evento de significância cultural e histórica”.

Filha da Democracia, a Universidade da Madeira tem desempenhado um papel vital na promoção da dinâmica cultural na Região, em especial da cidade do Funchal, através de diversas manifestações artísticas protagonizadas por professores, estudantes e antigos estudantes.

A ACADÉMICA DA MADEIRA, como sua principal estrutura associativa estudantil, tem promovido uma diversificada atividade cultural de jovens para jovens, mas aberta a todo o público.

O peso da liberdade

Como já dizia o meu pai, “só quem esteve preso é que reconhece o peso da liberdade.” (embora ele mesmo haver garantido nunca ter visto o sol aos quadrados). Eis como os próprios filhos de Abril estão a assistir à queda da Democracia moderna em Portugal, e, mesmo assim, escolhem

Toda a oferta cultural da ACADÉMICA DA MADEIRA resulta do trabalho de mais de uma centena de jovens, cuja “participação no concerto não só enriquece o programa com a autenticidade do fado, mas também ressalta o compromisso dos jovens madeirenses com a valorização da herança cultural do país”, como destaca Ricardo Freitas Bonifácio.

Há toda uma atividade de mais de 130 voluntários que diariamente trabalham em prol dos estudantes universitários e de demais jovens, “oferecendo a toda sociedade dezenas de atividades que incluem eventos culturais e educativos”, refere o Presidente da Académica, como é exemplo este concerto.

Anualmente, em parceria com a Câmara Municipal do Funchal, a ACADÉMICA DA MADEIRA desenvolve uma gala dedicada à música portuguesa, realizada no Teatro Municipal de Baltazar Dias, onde o grupo de fados da Académica, o FATUM, que “desempenha um papel fundamental na promoção e preservação desta tradição musical”.

No ano em que se comemora meio século desde o 25 de Abril, a ACADÉMICA DA MADEIRA realiza um concerto de tributo aos estudantes, aos populares, aos militares, aos artistas e a todos quantos lutaram pelo estabelecimento da Democracia dos seus valores em Portugal, a partir de 1974.

O cenário escolhido é icónico, trata-se do novo Centro Cultural e de Investigação do Funchal, que se impõe na paisagem urbana do Campo da Barca. Este edifício de 1940, foi um dos marcos da Ditadura no Funchal, servindo de Matadouro Municipal. A Democracia soube transformá-lo numa casa para as artes e a ciência.

O concerto será realizado no sábado, 27 de abril, a partir das 21.00, no auditório do CCIF, à rua do Matadouro. As entradas custam três euros e estão à venda nas bilheterias do CCIF e do Teatro Municipal de Baltazar Dias, ou na internet através da Ticket Line.

Sentes que um tempo acabou? Para quase cinco centenas de estudantes, sim!

No sábado, às 21:00, o Colégio dos Jesuítas do Funchal recebe o primeiro evento do CARUNCHO, as festividades que celebram o final do curso de centenas de finalistas da Universidade da Madeira, da Universidade Aberta e da Escola Superior de Enfermagem de São José de Cluny. A entrada, como habitual,

“O fado, como expressão artística profundamente enraizada na identidade portuguesa, serve como um elo entre as gerações, evocando memórias e emoções ligadas à luta pela liberdade e à celebração da democracia”, refere Ricardo Freitas Bonifácio.

A ACADÉMICA DA MADEIRA, numa coprodução com o Centro Cultural e de Investigação do Funchal realiza “Tributo ao Fado, Tributo à Liberdade”, no âmbito das comemorações municipais do 50.º aniversário do 25 de Abril.

O espetáculo contará com fados, baladas e guitarradas de Coimbra, além e outros géneros de música portuguesa, sobretudo de intervenção. Num programa de 60 minutos, serão interpretados alguns dos poetas de Abril, como Zeca Afonso, Fernando Machado Soares e Manuel Alegre.

Lembrando que 2024 assinala os 20 anos do desaparecimento de Carlos Paredes, haverá ainda um momento dedicado ao grande mestre da Guitarra Portuguesa.

O grupo de fados FATUM, foi constituído em janeiro de 2010, como um projeto há muito ambicionado pela ACADÉMICA DA MADEIRA, na sequência de várias serenatas monumentais desenvolvidas e que levaram ao Funchal fadistas e músicos deste estilo musical de Coimbra e de outras academias portuguesas.

A primeira actuação dos FATUM decorreu a 26 de março de 2010, no âmbito do 4.º aniversário da revista da ACADÉMICA DA MADEIRA. A partir dessa data o grupo começou a realizar várias atuações, dentro e fora da Região Autónoma da Madeira.

Ao longo de mais de 14 anos de atividade, sobretudo na Madeira, contam também com dezenas de atuações noutras regiões portuguesas e deslocações ao estrangeiro, a última das quais ao Reino Unido, em janeiro deste ano.

Constitui o grupo residente no Colégio dos Jesuítas do Funchal, que acolhe a Reitoria da Universidade da Madeira, realizando saraus de fados a cada quinze dias, dinamizados pela ACADÉMICA DA MADEIRA.

Na bagagem contam com três álbuns, FATUM (2014), Fado de Coimbra (2019) e Tributo (2022), a que se juntará um quarto nas redes sociais, que foi gravado ao vivo no Teatro Municipal de Baltazar Dias num concerto comemorativo dos dez anos de atividade.

Centenas enchem o Baltazar Dias para celebrar a UMa

No passado sábado, 29 de abril, os estudantes da UMa, através da ACADÉMICA DA MADEIRA, promoveram um concerto de comemoração dos 35 anos de criação da Universidade da Madeira. Ao som dos FATUM, a música portuguesa foi a protagonista.

Atualmente, integram dez elementos de ambos os sexos, entre solistas, guitarras clássicos, guitarras de Coimbra e semelhante número de formandos, uma vez que a componente formativa é de grande importância para o grupo.

No ano em que alcançaram quase 100 mil visualizações na plataforma Youtube, com 21 mil faixas ouvidas no Spotify, com 3 mil utilizadores, em 58 países.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Pedro Pessoa.