A emissão do Peço a Palavra desta semana, na antena da TSF Madeira, entra no quotidiano dos estudantes de Medicina que encontram na tuna uma forma de viver a universidade para além das aulas. O novo episódio, produzido pela Académica da Madeira em colaboração com a Associação para Promoção da Herança Madeirense, procura compreender como se conciliam as exigências do curso com os ensaios, as atuações e o compromisso assumido perante um grupo académico.
À conversa juntam-se Afonso Alves, Vasco Machado e João Velosa, estudantes de Medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, no Porto. Os três encontram-se em momentos diferentes do percurso universitário e partilham a experiência de pertencer a uma tuna. Afonso Alves é do Funchal e frequenta o 2.º ano do curso. Vasco Machado, de Fafe, está no 4.º ano. João Velosa, do Porto, frequenta o 5.º ano. Gabriel Soares e Luís Eduardo Nicolau conduzem a emissão, que acompanha os convidados desde a chegada à universidade até às fases mais avançadas do curso. A conversa aborda a saída da Madeira, a adaptação a uma nova cidade e o sentimento de pertença que pode nascer dentro de um grupo académico. Há também espaço para falar da gestão do tempo e das aprendizagens que acontecem fora da sala de aula.
A experiência de Afonso Alves permite conhecer o percurso de um estudante madeirense que deixou a ilha para estudar no Porto. A mudança implicou distância da família, novos ritmos e a necessidade de construir relações num lugar desconhecido. A entrada na tuna surge nesse contexto, enquanto espaço de integração e contacto com estudantes de diferentes anos. Com Vasco Machado, o programa procura perceber como se transforma a relação com Medicina à medida que o curso avança. No 4.º ano, as responsabilidades aumentam e a componente clínica ganha maior presença. Conciliar essa exigência com ensaios ou atuações obriga a estabelecer prioridades e a reconhecer quando é necessário abrandar. João Velosa traz a perspetiva de quem já percorreu grande parte do curso. A sua participação ajuda a compreender o lugar que a tuna pode ocupar ao longo dos anos e a forma como esse vínculo evolui perante novas responsabilidades. A proximidade do final da formação levanta ainda uma questão importante sobre aquilo que permanece quando o percurso universitário se aproxima do fim.
Sexta é o primeiro sarau de outubro dos FATUM
Sexta-feira, 13 de outubro, a partir das 21:00, o Colégio dos Jesuítas do Funchal acolhe mais um sarau de Fado de Coimbra pelos FATUM, o grupo de fados da ACADÉMICA DA MADEIRA. A entrada será gratuita para todo o público que queira ter um serão em serenata.
Summer Opening com uma Azáfama Eletrónica!
“A cada planta que cresce, a cada batida que sobre, a cada verão que chega, é como se a vida começasse
A rubrica Estigmas parte de algumas ideias recorrentes sobre Medicina e a vida académica. Uma delas associa as tunas apenas à diversão, como se a participação no grupo revelasse falta de compromisso com os estudos. O episódio contrapõe essa imagem à responsabilidade necessária para cumprir horários e estar presente nos momentos importantes da vida coletiva. Outra ideia em debate defende que um estudante de Medicina não tem tempo para participar numa tuna. Os convidados refletem sobre a carga do curso e sobre as escolhas necessárias durante os períodos de avaliação. A conversa procura perceber se esta atividade dificulta a organização ou se, pelo contrário, ensina a aproveitar melhor o tempo disponível.
O programa questiona também a relação das tunas com a tradição. João Velosa é convidado a pensar sobre a ideia de que estes grupos vivem demasiado presos ao passado. O tema abre espaço para discutir a transmissão de costumes entre gerações e a possibilidade de renovar repertórios sem perder a identidade construída ao longo do tempo. A entrada numa tuna nem sempre depende de experiência musical anterior. Afonso Alves comenta a ideia de que “é necessário saber cantar ou tocar um instrumento antes de integrar o grupo”. A aprendizagem entre colegas e o acompanhamento dos elementos mais antigos mostram uma realidade em que a vontade de participar pode ser tão importante como o conhecimento técnico inicial.
A dimensão deste tema ganha expressão quando se olha para o contexto europeu. Segundo o Eurostat, a União Europeia tinha 18,8 milhões de estudantes no ensino superior em 2023, dos quais 1,76 milhões estudavam fora do país de origem. Já em 2024, 65% dos utilizadores de internet na União Europeia ouviram ou descarregaram música através de plataformas digitais. Os dados ajudam a compreender como a universidade e a música atravessam a vida de milhões de jovens, criando oportunidades de encontro que ultrapassam o espaço das aulas e aproximam estudantes com percursos distintos. O impacto da música na Europa estende-se muito para além dos festivais. A Comissão Europeia considera este setor um dos pilares da diversidade cultural europeia e estima que tenha gerado cerca de 31 mil milhões de euros em receitas em 2019, empregando mais pessoas do que a indústria cinematográfica. A Europa é ainda o segundo maior mercado musical do mundo, depois dos Estados Unidos. Estes números mostram que a música promove o encontro entre comunidades e contribui de forma relevante para a economia, enquanto cria oportunidades profissionais e reforça a circulação cultural entre países.
Os FATUM, ouvidos em 58 países, anunciam novo videoclipe: “Barco Negro”
Dia 25 de dezembro os FATUM, o grupo de fados da ACADÉMICA DA MADEIRA, apresenta um novo videoclipe. O grupo acumula quase 100 mil visualizações no You Tube. No Spotify, só em 2022, os FATUM registaram mais de 21 mil faixas ouvidas, com 3 mil utilizadores regulares, em 58 países.
Calvin Harris
Calvin Harris, is a Scottish musician, DJ, producer and songwriter. Born in 1984 as Adam Wiles, he changed his name to
A emissão aborda ainda a imagem “da vida académica como uma sucessão de festas e noites mal dormidas”. Vasco Machado ajuda a distinguir a perceção exterior daquilo que os estudantes vivem no dia a dia. A universidade também envolve estudo e crescimento pessoal, enquanto exige capacidade para reconhecer limites. A última ideia discutida na rubrica dos Estigmas apresenta todas as atividades sem ligação direta ao curso como uma distração. A experiência dos convidados permite olhar para as competências desenvolvidas numa tuna, desde a comunicação até à confiança perante o público. Essas aprendizagens podem acompanhar os estudantes na vida profissional e assumir particular importância numa área tão próxima das pessoas como a Medicina.
No debate central, os três percursos encontram-se. Afonso Alves recorda os primeiros tempos longe da Madeira e explica “como surgiu a vontade de entrar para uma tuna”. Vasco Machado fala sobre a “evolução da sua relação com o curso e sobre a organização de uma semana dividida entre as obrigações académicas e os compromissos do grupo”. João Velosa reflete sobre o significado que a tuna adquiriu ao longo dos anos. A convivência fora das aulas ocupa um lugar central no episódio. Partilhar ensaios e viagens cria relações diferentes daquelas que se estabelecem apenas no contexto académico. A proximidade entre estudantes de vários anos pode facilitar a integração e oferecer apoio nos momentos mais exigentes da formação.
No final, os convidados são desafiados na rubrica que dá nome ao programa. Afonso Alves dirige a sua mensagem a quem sai da Madeira para estudar e a quem receia não encontrar o seu lugar na universidade. Vasco Machado fala para os estudantes que sentem não ter tempo para atividades fora do curso e para quem acredita que estudar deve ocupar todos os momentos do dia. João Velosa deixa uma reflexão aos estudantes que estão a terminar o curso, aos tunos mais novos e a quem continua a olhar para as tunas apenas como entretenimento.
Concerto do Dia da Região Autónoma da Madeira e das Comunidades Madeirenses
É com grande expectativa que anualmente a Orquestra Clássica da Madeira aguarda a preparação do concerto oficial das comemorações do “Dia da Região Autónoma da Madeira e das Comunidades Madeirenses”.
Dançando com a Diferença
Este grupo de dança inclusiva, cuja direcção artística é de Henrique Amoedo, nasceu como sendo um projecto de nome Dançando com
O novo episódio do Peço a Palavra mostra que a universidade prepara profissionais enquanto cria encontros capazes de acompanhar uma pessoa durante muitos anos. Entre livros e instrumentos, a vida académica constrói-se através das experiências partilhadas e das pessoas que tornam o percurso mais próximo.
O Peço a Palavra é um espaço dedicado ao Ensino Superior e à participação estudantil. O seu nome recupera a intervenção do jovem líder estudantil Alberto Martins, em Coimbra, que ficou ligada à Crise Académica de 1969. O programa é uma produção da Académica da Madeira em parceria com a TSF e, neste episódio, conta com a colaboração da Associação para Promoção da Herança Madeirense.
Luís Eduardo Nicolau
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Pedro Pessoa.