O reitor da Universidade do Porto lembrou aos novos estudantes que a participação na praxe académica é voluntária e que ninguém é obrigado a ser praxado. Pedro Nuno Teixeira falava perante milhares de estudantes reunidos na Praça dos Leões, junto à Reitoria, numa cerimónia de boas vindas ao novo ano letivo. Há três meses no cargo, apresentou-se também como um “reitor caloiro” e recordou a sua própria decisão. “Aliás a praxe, como sabem, é voluntária, é só para quem quiser. Eu não quis ser praxado, certamente não como reitor”, declarou Pedro Nuno Teixeira.
A entrada no ensino superior foi apresentada pelo reitor como uma etapa capaz de alterar profundamente o percurso pessoal dos estudantes. “A nossa vida foi muito melhor ou tem sido muito melhor, precisamente porque tivemos acesso a uma formação superior que se calhar muitos das gerações anteriores não tiveram essa oportunidade”, afirmou. Aos novos estudantes deixou ainda a perspetiva de “um período entusiasmante, um período de descoberta, um período de formação enquanto pessoas e enquanto pessoas profissionais”.
As universidades legitimam as praxes?
Hoje, às 16:00, há emissão em direto do PEÇO A PALAVRA. O sociólogo e economista Jonas Van Vossole e a psicóloga Dora Pereira são os convidados desta emissão sobre um dos assuntos mais populares do arranque letivo.
Julgamento de ex-militares da FAP acusados de praxes violentas retomado
O julgamento de dez ex-militares da Força Aérea Portuguesa, acusados de submeterem dois soldados a práticas humilhantes descritas como praxes violentas
Pedro Nuno Teixeira dedicou também parte da intervenção à saúde mental, reconhecendo que a chegada à universidade pode ser acompanhada por preocupação e ansiedade. “A palavra que eu vos quero dar é uma palavra de esperança relativamente ao futuro”, conforme noticiou o PÚBLICO, antes de lembrar os vários apoios disponibilizados pela instituição. “Podem contar com a Universidade de Porto na mentoria, no acolhimento, na integração, no apoio pedagógico, na inovação pedagógica e curricular, no desporto, nas actividades culturais. Em tudo isso, contem com a Universidade do Porto.”
A mensagem antecedeu o programa de receção preparado para os novos estudantes, que incluiu animação musical e atividades destinadas a dar a conhecer os serviços da instituição. “Não se esqueçam que, ao longo das próximas semanas e dos próximos meses, a Universidade de facto é um momento extraordinário das nossas vidas”, afirmou o reitor. A Universidade do Porto conta atualmente com mais de 35 mil estudantes, distribuídos por 15 faculdades, e cerca de 5700 professores, investigadores e funcionários.
Praxe
O processo de integração dos recém-chegados, caloiros, no Ensino Superior é normalmente a primeira definição que surge quando se pensa em praxe. Não obstante a ajuda na transição do Ensino
Sou rei dos caloiros
Ainda as aulas não tinham começado e eu já estava a ser praxado. Eu e os meus camaradas caloiros, bichos na
O aviso surge poucos dias depois de a praxe ter voltado a gerar polémica na Universidade da Madeira. A Juventude ADN Madeira denunciou um alegado episódio de “humilhação, isolamento e intimidação” de um estudante durante as atividades de praxe, que terá ficado “emocionalmente fragilizado e a chorar”, noticiado pela DIÁRIO. Em declarações divulgadas pelo jornal, a estrutura defendeu que “nenhuma tradição académica pode servir de pretexto para humilhar, excluir, intimidar ou exercer pressão psicológica” e sustentou que a praxe deve ser “voluntária, integradora e respeitadora da dignidade individual”. O caso levou ainda a Juventude ADN a pedir o apuramento dos factos e acompanhamento psicológico para o estudante envolvido.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Pedro Pessoa.
