A Madeira continua a revelar uma das mais baixas taxas de transição entre o ensino secundário e o ensino superior do país. De acordo com o estudo Do pré-escolar ao doutoramento: mais alunos, fortes assimetrias e desafios ao longo do percurso educativo, divulgado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e analisado pelo DIÁRIO, apenas 42% dos jovens que concluíram o ensino secundário na Região prosseguiram estudos superiores na Madeira. O jornal sublinha que “o indicador não acompanha o destino de cada aluno e contabiliza as entradas de acordo com a região onde se localiza a instituição de ensino superior”.
No ano letivo de 2024-2025 foram registadas 658 entradas em licenciaturas e mestrados integrados pelo regime geral de acesso, enquanto, no ano anterior, 1563 alunos tinham concluído os cursos gerais do ensino secundário na Região. “A relação entre os dois números é de 42%”, refere o DIÁRIO. Entre as regiões analisadas, apenas os Açores apresentam um valor inferior, com 41%, enquanto o Oeste e Vale do Tejo regista 36%. No extremo oposto encontra-se a Grande Lisboa, onde as entradas no ensino superior correspondem a 152% dos alunos que concluíram o secundário, refletindo a forte capacidade de atração daquela região.
Coesão ou desigualdade?
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A análise torna-se ainda mais expressiva quando incide sobre os Cursos Técnicos Superiores Profissionais. Em 2024-2025 registaram-se 184 entradas em TeSP através do respetivo concurso de acesso, embora, no ano anterior, 976 estudantes tivessem concluído vias profissionalizantes no ensino secundário da Região. “As entradas equivalem, assim, a apenas 19% daquele número”, refere o DIÁRIO. Neste indicador, a Madeira ocupa o penúltimo lugar entre as regiões, “ficando apenas à frente dos Açores, onde a relação é de 6%”.
Segundo o estudo, estas diferenças não podem ser interpretadas apenas como reflexo do percurso dos estudantes. A própria investigação “enquadra estes números num capítulo dedicado às assimetrias regionais na transição entre o secundário e o ensino superior” e considera que “as assimetrias são particularmente visíveis neste segmento do ensino superior”. A comparação territorial demonstra que regiões que atraem estudantes de outras zonas do país tendem a apresentar relações superiores a 100%, ao contrário dos territórios insulares.
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A Vice-Reitora foi entrevistada pela ET AL. no início do ano letivo para falar sobre o Programa de Promoção de Sucesso e Redução do Abandono, financiado pelo governo em milhões de euros e que começou a ser aplicado na Universidade da Madeira. Com a dotação orçamental reclamada, como serão os resultados da UMa?
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O mesmo retrato evidencia, contudo, uma evolução positiva do sistema educativo português. Em 2024-2025 estavam inscritos 2.078.116 alunos, mais 9326 do que no ano anterior. O crescimento verificou-se sobretudo no ensino superior, que ultrapassou os 456 mil estudantes matriculados, enquanto o ensino pré-escolar e o ensino secundário perderam alunos. O retrato agora divulgado, baseado em dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, confirma que o acesso ao ensino superior continua marcado por fortes desigualdades territoriais, colocando desafios acrescidos às regiões ultraperiféricas como a Madeira.
Luís Eduardo Nicolau
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Pedro Pessoa.
