Durante uma década, o número de estudantes matriculados nas instituições de ensino superior portuguesas cresceu de forma contínua. Essa tendência foi interrompida no ano letivo de 2025-2026, quando se registou a primeira redução desde 2014-2015. Os dados do Registo de Alunos Inscritos e Diplomados do Ensino Superior revelam que o total de matriculados passou de cerca de 456 mil para 447.690 estudantes, correspondendo a uma descida de 1,8%.
A quebra surge depois de um longo período de expansão do sistema. Entre 2014-2015 e 2024-2025, o número de estudantes aumentou 28%, impulsionado tanto pelo ensino público, que cresceu 21,6%, como pelo privado, cuja evolução atingiu 60,5%. Apesar da descida agora verificada, as instituições continuam a acolher um número de alunos muito superior ao registado no início da década, distribuídos por cursos técnicos superiores profissionais, licenciaturas, mestrados, doutoramentos e outras formações.
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O PÚBLICO relaciona esta inversão com a forte redução da procura registada em 2025. Nesse ano, o número de novos inscritos no primeiro ano das licenciaturas e mestrados integrados diminuiu 8678 estudantes face ao ano anterior, uma quebra de 10,5%. Grande parte dessa redução verificou-se no Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, que deixou de reunir candidatos suficientes para preencher todas as vagas disponibilizadas pelas instituições.
A evolução demográfica constitui outro dos fatores apontados para explicar esta mudança. Apesar do crescimento contínuo do número de estudantes internacionais, que ultrapassaram os 72 mil no último ano letivo e assumem um papel cada vez mais relevante para muitas instituições, a diminuição do número de jovens em idade de ingresso no ensino superior começa a refletir-se no sistema, confirmando previsões que vários estudos vinham antecipando há vários anos.
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Os dados agora divulgados permitem também enquadrar os resultados do concurso de acesso de 2026. Embora a taxa de ocupação das vagas na primeira fase tenha recuperado para cerca de 88%, permanecendo acima da registada no ano anterior, continua abaixo dos níveis observados em 2024. A existência de milhares de vagas disponíveis para a segunda fase demonstra que o desafio já não passa apenas por aumentar a oferta, mas também por garantir candidatos suficientes para a ocupar.
Mais do que um simples ajustamento estatístico, esta primeira descida nas matrículas poderá representar o início de uma nova fase para o ensino superior português. Num contexto marcado pelo envelhecimento demográfico, pela crescente importância dos estudantes internacionais e pela necessidade de diversificar públicos, as instituições enfrentam o desafio de adaptar a sua oferta e as suas estratégias de captação a uma realidade cada vez mais exigente e competitiva.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Annie Spratt.
