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Fusão da FCT e ANI pode ser “uma ameaça fundamental à ciência”

Fusão da FCT e ANI pode ser “uma ameaça fundamental à ciência”

Pedro Adão e Silva considera que a fusão entre a Fundação para a Ciência e a Tecnologia e a Agência Nacional de Inovação constitui “uma ameaça fundamental à ciência”, feita “pela calada e sem diálogo”.

No PÚBLICO, Pedro Adão e Silva alerta que “gera inquietação que, sem que se conheça com rigor o problema ao qual se quer responder, se avance para a fusão de ciência e inovação numa nova entidade empresarial”. O antigo ministro lembra que o desenvolvimento científico português teve um “ponto de viragem” com a criação do Ministério da Ciência, em 1995, sob influência do Manifesto para a Ciência em Portugal, e que essa autonomia foi “crucial para que as políticas científicas adquirissem um propósito coerente”.

Pedro Adão e Silva considera que a proposta do Governo representa “uma rutura feita pela calada e sem diálogo”, movida por uma “desconfiança face ao sistema que procura transformar”. O autor critica o facto de o Executivo “promover uma transformação sem que se conheça um diagnóstico, uma fundamentação e que se tenha escolhido negligenciar a auscultação do setor”, questionando se o Governo “não confia nos cientistas e nos investigadores”.

Para o ex-ministro da Cultura, a decisão de fundir a FCT e a ANI é “um péssimo exemplo para a qualificação das políticas públicas” e vai “em contracorrente com as boas práticas europeias”. O autor conclui que esta “indistinção entre ciência fundamental e aplicada tende a ter um duplo efeito: prejudica a ciência fundamental e a inovação com aplicação económica”, classificando a proposta como uma ameaça séria ao equilíbrio e à autonomia do sistema científico português.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Lamna The Shark.

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