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Como são os exames do secundário pelo mundo

Como são os exames do secundário pelo mundo

A maioria dos países mantém exames no final do secundário, mas cada sistema define de forma distinta o seu peso na conclusão dos estudos e no acesso ao ensino superior.

A maioria dos países mantém exames no final do ensino secundário, mas os modelos de avaliação e de acesso ao ensino superior variam bastante. Em Portugal, os exames nacionais têm uma dupla função, contam para a conclusão do secundário e servem também como provas de ingresso no ensino superior. O artigo do PÚBLICO recorda que esta regra não é universal e que, mesmo entre países com exames externos finais, há diferenças profundas na forma como as provas são organizadas e no peso que têm na vida dos estudantes.

A história dos exames é antiga e começa, em grande medida, na China Imperial, onde eram usados para selecionar funcionários públicos. Essa lógica de seleção por mérito acabou por influenciar outros sistemas, incluindo a Europa, onde os exames surgiram também ligados à escolha de quadros para a administração pública. Em França, por exemplo, o Baccalauréat foi introduzido por Napoleão, em 1808, e mantém ainda hoje uma função relevante na certificação do secundário e no acesso à universidade.

O caso português aproxima-se de países onde os exames externos têm forte impacto no acesso ao ensino superior. A OCDE assinala que provas elaboradas e classificadas externamente são comuns quando os certificados do secundário influenciam diretamente a entrada na universidade, sobretudo quando a procura supera a oferta. É o que acontece em sistemas como Portugal, Irlanda, Reino Unido, Austrália e Lituânia, embora cada país tenha regras próprias e diferentes formas de combinar avaliação interna, exames finais e candidatura ao ensino superior.

Há, no entanto, modelos bastante diferentes. Na Suécia, o ensino secundário não termina com um exame final obrigatório. O certificado resulta das disciplinas concluídas, das notas atribuídas pelos professores e de um projeto individual. Essa opção tem gerado debate sobre a comparabilidade entre escolas, levando a propostas para que, no futuro, as classificações passem a combinar avaliação dos professores com exames nacionais. Na Lituânia, pelo contrário, a reforma recente foi no sentido de reforçar a avaliação estatal, eliminando exames ao nível da escola para aumentar a credibilidade do sistema.

O jornal narra que, quando os certificados do secundário dependem sobretudo de avaliação interna, muitos países recorrem a provas externas específicas para o acesso ao ensino superior. É o caso de sistemas como Finlândia, Grécia, Japão, Coreia, Espanha, Polónia e Turquia. Em Espanha, a antiga Selectividad, agora Prueba de Acceso a la Universidad, é composta por várias provas e vale 40% da nota de acesso, mantendo uma articulação entre orientações centrais e responsabilidade das comunidades autónomas.

Nos modelos mais competitivos, sobretudo na Ásia, os exames assumem uma dimensão social muito intensa. Na China, milhões de jovens realizam o Gaokao, num ambiente de grande pressão familiar e simbólica. Na Coreia do Sul, o Suneung continua a ser um dos exames mais exigentes, ao ponto de o país alterar rotinas para evitar ruído durante a prova de compreensão auditiva. No extremo oposto, a Argentina não exige exames nacionais de acesso, bastando o diploma do ensino secundário, embora algumas universidades imponham disciplinas obrigatórias antes da entrada nos cursos.

Luís Eduardo Nicolau
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Wander Fleur.

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