A transformação do Instituto Politécnico de Leiria em Universidade de Leiria e do Oeste e do Instituto Politécnico do Porto em Universidade Técnica do Porto constitui uma das mais profundas alterações no sistema de ensino superior português desde a criação do subsistema politécnico. Num artigo de opinião publicado no PÚBLICO, Ana Sucena e Paulo Jorge Santos reconhecem a relevância histórica da decisão, mas consideram que o processo está a decorrer sem o necessário envolvimento da comunidade académica.
Os autores sustentam que a principal preocupação não reside na criação das novas universidades, mas na forma como a mudança está a ser conduzida. No texto, afirmam que existe uma “grande opacidade quanto ao teor dos diplomas”, apesar de os decretos-leis já terem sido aprovados em Conselho de Ministros. Na sua perspetiva, um processo com impacto direto na organização das instituições e nas carreiras de milhares de docentes deveria ter sido acompanhado por um debate mais amplo.
Valorizar o sistema binário para reforçar o ensino superior em Portugal
João Pedro Pereira defende que universidades e politécnicos devem manter missões distintas e complementares, rejeitando reformas unilaterais e apelando a uma revisão equilibrada do RJIES.
Politécnico do Porto avança com proposta para se tornar universidade
O Instituto Politécnico do Porto submeteu uma proposta ao Ministério da Educação para se tornar universidade, justificando a transição com o
A incerteza é apontada como um dos problemas centrais. O artigo refere que continuam sem resposta questões relacionadas com a transição de docentes para a carreira universitária, a manutenção das condições remuneratórias ou a situação dos professores que se encontram em período experimental. Os autores observam que “ninguém sabe” quais serão as regras aplicáveis a muitos destes casos, situação que gera preocupação entre os profissionais afetados.
Ana Sucena e Paulo Jorge Santos defendem ainda que o processo representa um desperdício de conhecimento acumulado dentro das próprias instituições. Recordando que os docentes e investigadores do ensino superior estão entre os profissionais mais qualificados do país, consideram que a exclusão destes contributos compromete a qualidade da transformação em curso.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de CDD20.
