O Instituto Politécnico do Porto (IPP) pretende dar um passo histórico ao submeter uma proposta ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação para se converter em universidade. A decisão, aprovada por unanimidade pelo Conselho Geral, reflete uma visão estratégica que visa alinhar a instituição com os desafios do ensino superior e ampliar a sua oferta formativa. Com esta mudança, o IPP tornaria-se a primeira instituição politécnica a solicitar oficialmente esta transição, beneficiando da legislação que permite aos politécnicos atribuírem doutoramentos e evoluírem para universidades politécnicas.
O presidente do IPP, Paulo Pereira, justifica esta ambição com a realidade académica e científica da instituição, que, segundo ele, já opera num nível equivalente ao das universidades. A instituição conta com mais de 22 mil estudantes distribuídos por licenciaturas, mestrados e doutoramentos, cumprindo todos os requisitos estabelecidos pelo regime jurídico das instituições de ensino superior. Além disso, destaca-se pelo número de centros de investigação e pela relevância dos seus programas na formação para a empregabilidade e inovação.
Revisão do RJIES avança, mas consenso político continua distante
A proposta do Governo para rever o RJIES foi aprovada na generalidade, abrindo caminho a um debate aprofundado na especialidade, onde permanecem fortes divisões sobre autonomia, modelo institucional e governação do ensino superior.
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A proposta surge num contexto em que a Área Metropolitana do Porto apresenta uma oferta universitária pública inferior à procura existente. De acordo com Paulo Pereira, apenas 40% dos estudantes do ensino superior da região frequentam instituições universitárias públicas, o que justifica a necessidade de reforçar essa oferta. A transformação do IPP em universidade permitiria equilibrar essa distribuição e fortalecer a capacidade de resposta do sistema educativo à crescente procura por ensino superior qualificado.
Apesar da confiança da instituição na aprovação da proposta, o processo ainda terá de passar pelo crivo do ministério e cumprir eventuais exigências adicionais. Caso seja aprovada, esta mudança poderá abrir caminho para outras instituições politécnicas seguirem o mesmo percurso, contribuindo, na visão dos seus defensores, para a modernização do ensino superior em Portugal e reforçando o seu papel na formação de profissionais altamente qualificados para o mercado de trabalho.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Med Badr Chemmaoui.