No artigo de opinião “O RJIES e a longa agonia do sistema binário”, publicado no Público, Joaquim Sande Silva questiona a manutenção da divisão entre subsistemas universitários e politécnicos no ensino superior português. A origem deste modelo binário remonta a meio século, diferenciando formações científicas, mais teóricas, das vocacionais, de cariz prático. Contudo, ao longo das décadas, as diferenças entre os dois sistemas têm diminuído, nomeadamente pela evolução das formações oferecidas por ambos. Como destaca o autor, “até ao final dos anos 90 os politécnicos apenas podiam outorgar bacharelatos”, mas agora já atribuem “o grau de doutor”, enquanto as universidades também adotaram formações mais práticas.
A proposta de revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) pretende flexibilizar a relação entre os dois subsistemas, permitindo fusões, consórcios e a criação de “universidades politécnicas”. Embora se mantenha a divisão formal, com diferenças como a utilização exclusiva dos termos “reitor” e “faculdade” pelas universidades, Joaquim Sande Silva alerta que estas alterações não resolvem a descaracterização progressiva dos subsistemas, agravada pela competição devido à diminuição da população estudantil.
ACADÉMICA DA MADEIRA sugere reformas do RJIES à Assembleia da República
A ACADÉMICA DA MADEIRA apresentou à um parecer com propostas para tornar o Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior mais inclusivo, transparente e adaptado às exigências atuais.
A endogamia universitária e a autonomia das instituições
Joaquim Pinheiro, do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade da Madeira, escreve sobre
O autor enfatiza os problemas desta separação, destacando que, na prática, “ambos os subsistemas têm vindo a invadir o terreno alheio”. Ele critica o prolongamento desta divisão, que considera um entrave ao desenvolvimento do ensino superior, escrevendo no Público que “os dois subsistemas estão condenados a competir e não a cooperar”. A eliminação da redundância formativa, o fortalecimento da investigação e a melhor gestão de recursos poderiam resultar de uma colaboração mais efetiva entre as instituições.
Joaquim Sande Silva descreve o sistema binário como “uma crónica de uma morte anunciada” que ainda não terá um epílogo com a revisão legislativa. O autor apela a governantes com “mais visão, maior margem de manobra e mais coragem política” para pôr fim a esta “longa agonia”.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Scott Webb.