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Finalistas da UMa falam sobre o fim do curso e o que vem depois

Finalistas da UMa falam sobre o fim do curso e o que vem depois

Finalistas da Universidade da Madeira falam sobre escolhas, expectativas, memórias académicas e o futuro que começa quando o curso chega ao fim.
A GRADUAÇÃO é promovida pela ACADÉMICA DA MADEIRA para todos os estudantes da Universidade da Madeira. Trata-se de uma cerimónia simbólica, que marca o final de um ciclo académico. Em 2024, aconteceu a 29 de julho.

A emissão do Peço a Palavra desta semana, na antena da TSF Madeira, acompanha estudantes finalistas da Universidade da Madeira num momento em que a vida académica começa a mudar de forma. O episódio, realizado em parceria com a Associação para Promoção da Herança Madeirense, parte dessa fase particular em que ainda há aulas, entregas e avaliações, mas em que o futuro já deixou de ser uma ideia distante.

À conversa juntam-se dois estudantes com percursos diferentes. Pedro Andrade, licenciado em Engenharia Informática pela Faculdade de Ciências Exatas e Engenharia da Universidade da Madeira, está a concluir o mestrado em Engenharia Informática. Valentina Maria Lé Costa é finalista de Artes Visuais na mesma instituição e tem desenvolvido o seu percurso em áreas ligadas às Artes Visuais, ao Design Digital e à Multimédia. Eduardo Ferreira e Eva Xavier, da Associação para Promoção da Herança Madeirense, conduzem o episódio.

O ponto de partida é o balanço que um estudante faz quando chega ao fim do curso? Como refere Eduardo Ferreira, “a resposta dificilmente cabe num episódio. Há orgulho, cansaço, dúvidas, planos que mudaram, certezas que apareceram tarde e expectativas que nem sempre coincidem com a realidade encontrada”. Para apoiar essa leitura, o programa recupera alguns dados de um inquérito do Observatório da Vida Estudantil, da Académica da Madeira, respondido por cerca de 300 estudantes.

Nesse inquérito, 248 estudantes indicaram que o curso que irão concluir correspondeu às suas expectativas, enquanto 48 responderam em sentido contrário. O resultado revela uma maioria satisfeita, mas deixa também espaço para ouvir quem chegou ao fim com outra perceção da experiência. Como refere Eduardo Ferreira, “não basta perguntar se os estudantes acabam o curso. Também é preciso perceber como chegam ao fim, o que levam consigo e que distância existe entre aquilo que esperavam e aquilo que encontraram”.

O futsal e a oportunidade do desporto universitário

O PEÇO A PALAVRA dedica um episódio ao futsal do CDAM para refletir sobre o potencial do desporto universitário, a conciliação entre estudo e competição e os desafios de construir um novo projeto desportivo na Madeira.

A recomendação do curso é outro sinal importante dessa relação com a formação. Quando questionados sobre se recomendariam o curso que frequentam, 257 estudantes responderam que sim e 39 disseram que não. Para Eva Xavier, “recomendar um curso é quase uma forma de dar testemunho. Significa dizer a outro estudante que aquele caminho valeu a pena, mesmo que tenha sido exigente, irregular ou diferente do imaginado”.

A Engenharia Informática é uma área muitas vezes associada a empregabilidade imediata e a um futuro profissional aparentemente garantido, mas o episódio procura perceber o que existe por detrás dessa imagem. O painel conversou sobre a velocidade com que a tecnologia muda, da necessidade de continuar a aprender, da importância dos projetos práticos e da diferença entre dominar ferramentas e saber pensar soluções.

O percurso de Valentina Maria Lé Costa abre outra frente da conversa. As Artes Visuais continuam a enfrentar olhares apressados, por vezes presos à ideia de que a criação artística pertence mais ao gosto pessoal do que ao trabalho profissional. No episódio, essa perceção é contrariada através de uma experiência formativa marcada pela prática, pela experimentação, pela cultura visual e pela aproximação ao Design Digital e à Multimédia.
A experiência académica, porém, não se mede apenas pelo conteúdo das unidades curriculares. No inquérito do Observatório da Vida Estudantil, as amizades foram o aspeto mais referido pelos estudantes, com 171 respostas. Seguiram-se os conhecimentos adquiridos, com 136 respostas, o ambiente entre colegas e funcionários, com 82, as atividades práticas das cadeiras, com 64, o equilíbrio entre avaliações e aulas, com 48, o interesse do conteúdo lecionado, com 47, os professores, com 45, e as oportunidades de mobilidade Erasmus+, com 44.

Como refere Eduardo Ferreira, os dados apoiam a percepção “que os finalistas conhecem bem, a universidade acontece também fora da pauta, da sala de aula e do plano curricular. Acontece nas conversas antes dos exames, nos trabalhos de grupo que correm melhor ou pior do que o previsto, nos professores que deixam marca, nas amizades que sobrevivem ao semestre e nos momentos em que cada estudante percebe que já não é a mesma pessoa que entrou no primeiro ano”.

Nada é um fim, tudo é um novo começo

Entre dúvidas, descobertas e despedidas, a passagem pela universidade é menos um ponto de chegada do que o início de novos caminhos que se constroem a partir das experiências, relações e aprendizagens vividas ao longo do percurso académico.

A rubrica Estigmas leva para a conversa algumas frases que circulam sobre os cursos e sobre o próprio estatuto de finalista. Em Engenharia Informática, discute-se a ideia de que tudo se resume a programar ou de que a procura por profissionais elimina qualquer incerteza. Nas Artes Visuais, questiona-se a noção de que uma área criativa é menos exigente, menos técnica ou menos preparada para o mercado. O episódio mostra que os dois percursos, embora diferentes, exigem método, persistência e uma capacidade constante de adaptação.

Os convidados foram desafiados a recordar o que diriam à versão de si próprios que entrou na universidade, que oportunidades gostariam de ter aproveitado melhor e em que momento perceberam que estavam realmente a fechar uma etapa. Nem todos chegam a esse ponto da mesma forma. O painel refere que “há quem sinta alívio, quem sinta saudade antes de sair, quem queira continuar a estudar e quem esteja já concentrado no primeiro passo profissional”. “O último ano tem uma carga emocional muito própria”, observa Eva Xavier. “Há uma mistura de fim e começo que nem sempre é fácil de explicar. O estudante ainda está dentro da universidade, mas já começa a imaginar a vida fora dela.” Essa ambiguidade atravessa o episódio e permite olhar para os finalistas não como um grupo homogéneo, “sendo claro que são estudantes em momentos diferentes de decisão, percurso, maturidade e expectativa.”

A conversa passa ainda pela relação entre formação académica e futuro profissional. Em Engenharia Informática, esse horizonte cruza-se com inteligência artificial, desenvolvimento de software, cibersegurança, dados e novas formas de organização do trabalho. Nas Artes Visuais, envolve portfólio, identidade criativa, comunicação visual, ferramentas digitais e a capacidade de transformar uma linguagem própria em projetos concretos.

O episódio ganha ainda outro enquadramento quando se olha para a relação entre ensino superior e emprego jovem em Portugal. No estudo “Ensino Superior e Emprego Jovem em Portugal”, publicado em maio deste ano pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, os autores recordam que os jovens com mestrado apresentam as taxas de emprego mais elevadas, com 88% empregados entre um e dois anos depois de terminarem o curso e 93% ao fim de cinco anos. Entre os licenciados, a taxa é de 75% no primeiro período analisado, mas melhora significativamente com o tempo, aproximando-se do mesmo patamar. Como refere Eduardo Ferreira, para os finalistas, estes dados ajudam a colocar a ansiedade do último ano numa perspetiva mais longa, a entrada no mercado pode não ser imediata nem igual para todos, mas o diploma continua a ter peso”.

Estudar o futuro em engenharia física e computacional

A licenciatura em Engenharia Física e Computacional da Universidade da Madeira está no centro de uma conversa sobre ciência, tecnologia e o papel estratégico da formação e da investigação num futuro que a Europa já começou a disputar.

O estudo mostra que o ensino superior mantém uma vantagem salarial relevante. Em 2023, os licenciados ganhavam, em média, mais 28% do que os trabalhadores que concluíram apenas o ensino secundário, enquanto os mestres ganhavam mais 49%. Esta diferença não elimina as dúvidas de quem está a terminar o curso, mas ajuda a perceber por que razão a conclusão da licenciatura ou do mestrado continua a ser uma aposta importante. No episódio, essa leitura cruza-se com os percursos de Pedro Andrade e Valentina Maria Lé Costa, vindos de áreas distintas, mas ambos confrontados com a mesma pergunta de fundo, “que valor tem hoje a formação superior quando chega o momento de transformar aprendizagem em projeto de vida?”.

O estudo da Fundação identifica diferenças expressivas entre percursos, destacando as Tecnologias da Informação e Comunicação como a área com salários médios mais elevados entre jovens trabalhadores dos 23 aos 26 anos, tanto ao nível do mestrado como da licenciatura. Nas Artes, os valores médios são mais baixos, mas o próprio estudo alerta que dentro da mesma área e do mesmo grau, os resultados podem variar muito, influenciados por fatores institucionais, pessoais e de mercado. Como referiu Eva Xavier, “ser finalista não é apenas escolher entre estudar mais ou trabalhar. É começar a perceber onde se quer entrar, com que ferramentas e com que expectativas”.

O novo episódio do Peço a Palavra mostra o final do curso como um ponto de passagem, feito de balanço, incerteza e preparação. Como resume Eduardo Ferreira, “a universidade não entrega apenas um diploma. Entrega hábitos, relações, critérios e perguntas que continuam muito depois da última avaliação”.

O Peço a Palavra é um espaço em que o Ensino Superior, a Ciência e a Tecnologia estão em debate, porque os estudantes pediram a palavra. O seu nome tem origem na intervenção que tornou célebre o jovem líder estudantil em Coimbra Alberto Martins e espoletou a Crise Académica de 1969. Trata-se de uma produção da TSF Madeira 100FM com a Académica da Madeira, transmitida em direto, quinzenalmente às quartas-feiras, às 16:00, e disponível em podcast nas principais plataformas do mercado. Na antena da rádio, o programa é repetido na quarta-feira seguinte.

Luís Eduardo Nicolau
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Pedro Pessoa.

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