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A concentração de estudantes no litoral continua a preocupar o ensino superior

A concentração de estudantes no litoral continua a preocupar o ensino superior

Joaquim Brigas defende que as atuais políticas de acesso ao ensino superior continuam a agravar as desigualdades territoriais entre o litoral e o interior do país.

Os resultados da primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior voltaram a evidenciar uma realidade que se repete há vários anos. Apesar do aumento do número de estudantes colocados e da recuperação registada no subsistema politécnico, a distribuição dos candidatos continua fortemente concentrada nas instituições do litoral. Para Joaquim Brigas, esta tendência representa um problema que ultrapassa o ensino superior e compromete os objetivos nacionais de coesão territorial.

Ao longo do artigo de opinião publicado no PÚBLICO, o presidente da Universidade Politécnica da Guarda recorda que cerca de 75% das vagas se concentram entre Braga e Setúbal, precisamente a faixa do país onde vivem mais jovens e onde se localiza a maior parte da atividade económica. Na sua perspetiva, embora as instituições concorram formalmente nas mesmas condições, a realidade demonstra que partem de contextos muito diferentes, o que dificulta a capacidade de atração das universidades situadas em territórios de baixa densidade.

Contem com os estudantes!

Caros estudantes, professores e funcionários da UMa, Com a proposta aprovada em Senado Universitário, na passada Quarta-feira, inicia-se a adaptação da Universidade da Madeira ao Espaço Europeu do Ensino Superior.

O autor lembra que esta preocupação já tinha sido manifestada pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, por várias assembleias municipais e pelo Conselho Geral da então Universidade Politécnica da Guarda. Considera que o aumento generalizado das vagas nos grandes centros urbanos reforça a capacidade dessas instituições para reter estudantes locais e captar candidatos de outras regiões, contribuindo para uma concentração crescente da população, do conhecimento e das oportunidades.

Joaquim Brigas defende, por isso, que as políticas públicas devem ir além da simples abertura de vagas. Sustenta que, se a coesão territorial constitui um objetivo estratégico do país, também as bolsas, o financiamento, a investigação e o regime de graus e diplomas devem incorporar mecanismos de diferenciação positiva que permitam compensar as desvantagens estruturais enfrentadas pelas instituições do interior. Na sua leitura, estas universidades desempenham um papel essencial na fixação de talento, na inovação e no desenvolvimento regional.

O autor reconhece, ainda assim, que a localização geográfica não explica todos os resultados. Considera que as próprias instituições têm a responsabilidade de atualizar a oferta formativa, reforçar a investigação, aprofundar a internacionalização e estreitar a ligação às empresas e à sociedade. Refere mesmo que esse é o caminho seguido pela Universidade Politécnica da Guarda, que iniciará novos programas de doutoramento e continuará a investir na cooperação internacional e na articulação com o tecido económico regional.

A reflexão termina com um apelo a uma política nacional mais equilibrada. Joaquim Brigas alerta que, sem medidas concretas para contrariar a litoralização do ensino superior, Portugal continuará a concentrar população, conhecimento e oportunidades nas mesmas regiões, agravando o despovoamento do interior. Na sua perspetiva, utilizar o ensino superior como instrumento de equilíbrio territorial não constitui apenas uma resposta às necessidades dessas regiões, mas um investimento no desenvolvimento sustentável do país como um todo.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Chuttersnap.

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