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Área do curso continua a pesar mais do que a instituição no acesso ao emprego

Área do curso continua a pesar mais do que a instituição no acesso ao emprego

Um novo estudo conclui que a área de formação tem um impacto muito superior ao tipo de instituição frequentada nas oportunidades de emprego dos diplomados do ensino superior.

Escolher um curso continua a ser uma decisão com maior impacto no futuro profissional do que optar entre universidade ou politécnico, ensino público ou privado. Essa é uma das principais conclusões de um estudo da Edulog, divulgado numa altura em que milhares de candidatos ainda procuram uma vaga no ensino superior. A investigação mostra que a área de formação condiciona de forma decisiva as oportunidades de emprego, a remuneração, a estabilidade contratual e a qualidade da inserção profissional.

As diferenças entre áreas são particularmente expressivas. Os diplomados em Artes, Psicologia, Ciências Naturais, Matemática e Estatística, Humanidades e Línguas apresentam uma probabilidade de desemprego pelo menos dez pontos percentuais superior à dos diplomados em Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção. Os investigadores verificaram ainda que esta diferença continua a ser significativa cinco anos após a conclusão dos estudos, demonstrando que o efeito da escolha da área não desaparece com a experiência profissional.

Uma corrida aos carimbos…

Com 63 anos, quase a refomar-se, Joaquim é despedido e luta para manter o subsídio de desemprego, colecionando carimbos a atestar a procura de trabalho, de empresa em empresa. Na memória, reavivam-se os tempos de taxista em Nova Iorque, em que assistiu a várias quedas da bolsa de Wall Street.

O estudo conclui igualmente que o percurso académico e as características individuais influenciam a entrada no mercado de trabalho. Os diplomados com melhores classificações finais apresentam menor probabilidade de desemprego e a experiência profissional adquirida durante o curso facilita a empregabilidade nos primeiros anos após a graduação. A obtenção de um mestrado reduz igualmente o risco de desemprego, embora esse benefício seja mais evidente no período imediatamente posterior à conclusão da formação.

Quando a análise passa da obtenção de emprego para a qualidade desse emprego, as diferenças mantêm-se. Os diplomados das áreas das Tecnologias da Informação e Comunicação e das Engenharias registam salários mais elevados e maiores níveis de satisfação profissional. Em contraste, Artes, Humanidades, Bem-estar e Serviços apresentam níveis mais elevados de sobrequalificação, verificando-se que cerca de metade dos diplomados em Humanidades e Serviços exerce funções abaixo do nível correspondente à sua formação. Em Medicina e Medicina Dentária, essa realidade atinge apenas 6,2% dos diplomados.

A investigação identifica ainda desigualdades persistentes entre homens e mulheres. Mesmo com qualificações semelhantes, as diplomadas continuam a receber salários inferiores, enfrentam maior probabilidade de desemprego e apresentam níveis mais elevados de sobrequalificação. O estudo revela também um agravamento das condições de inserção profissional das gerações mais recentes de diplomados, com menos jovens a iniciarem a carreira sem qualquer desvantagem e um número crescente a acumular diferentes fatores de vulnerabilidade.

Perante estes resultados, os autores defendem que os futuros estudantes e as suas famílias devem dispor de informação mais completa antes de escolherem um curso. Para além das taxas de desemprego, consideram importante divulgar indicadores relacionados com salários, estabilidade contratual, satisfação profissional e adequação entre a formação e o trabalho desempenhado. A decisão sobre o ingresso no ensino superior, concluem, deve assentar numa visão mais ampla da realidade profissional de cada área científica.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Tim Gouw.

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