Quem não conseguiu entrar no curso pretendido na primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior ganhou novos motivos para voltar a tentar. Depois dos acertos realizados pelas instituições, o número de vagas disponíveis para a segunda fase aumentou de 6.639 para 11.112, um crescimento de cerca de 70%. A atualização resulta, sobretudo, dos milhares de estudantes colocados que acabaram por não efetuar a matrícula, libertando lugares que regressam agora ao concurso.
Entre os cursos onde surgiram novas oportunidades encontram-se alguns dos mais concorridos do país. Medicina passa a disponibilizar 17 vagas distribuídas por várias instituições, depois de terem ficado por ocupar lugares na Universidade da Beira Interior, na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, na Universidade de Coimbra, na Universidade Nova de Lisboa, na Universidade do Porto e também na Universidade da Madeira, onde existe uma vaga no ciclo básico de Medicina. Engenharia Aeroespacial regista igualmente um aumento da oferta, somando agora 16 vagas na segunda fase, repartidas entre a Universidade de Évora, o Instituto Superior Técnico, a Universidade de Aveiro e a Universidade de Coimbra.
Exames voltam a contar mais para a média e acesso ao superior, mas com maior flexibilidade
Os exames nacionais recuperam peso na avaliação do ensino secundário e no acesso ao ensino superior, mas com mais opções de escolha para os estudantes.
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Uma medida criada para premiar e fixar jovens qualificados acaba por perder credibilidade quando os atrasos, a falta de prazos e
O fenómeno estende-se a muitas outras áreas científicas. Direito, que tinha esgotado na primeira fase em várias universidades, apresenta agora dezenas de lugares disponíveis, destacando-se a Universidade de Lisboa e a Universidade de Coimbra. Também Enfermagem, Educação Básica, Economia, Arquitetura, Farmácia e Medicina Veterinária voltam a integrar a lista de cursos onde existem vagas, resultado das não matrículas efetuadas por estudantes inicialmente colocados. Em muitos casos, estas desistências explicam-se por mudanças de opção, permanência no curso que já frequentavam ou pela escolha de instituições de ensino superior no estrangeiro.
As diferenças verificam-se igualmente entre instituições. O futuro Universidade de Bragança e do Norte Interior continua a apresentar uma das mais baixas taxas de ocupação, acumulando mais de 1.280 vagas após os acertos. Em sentido inverso, universidades habitualmente muito procuradas também passaram a disponibilizar um número significativo de lugares. A Universidade do Porto abre agora 340 vagas em diferentes cursos, enquanto a Universidade de Lisboa disponibiliza 831, mais de 600 das quais resultam de estudantes colocados que optaram por não concluir a matrícula.
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Relatório apresentado em julho, pela Fundação “La Caixa”, indica que a exaustão académica, um reduzido sentimento de pertença e fracos resultados académicos são os principais fatores de risco que levam ao abandono do ensino superior.
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A segunda fase destina-se não apenas aos candidatos que ficaram sem colocação, mas também àqueles que pretendem tentar melhorar a opção inicialmente obtida, aos que não efetuaram matrícula na primeira fase ou aos que só passaram a reunir as condições de candidatura depois do encerramento do primeiro concurso. No total, cerca de 10.500 candidatos ficaram sem vaga na fase inicial, mantendo agora a possibilidade de ingressar no ensino superior público.
O concurso decorre até 20 de setembro e os resultados serão conhecidos a 30 do mesmo mês. O ministro da Educação, Ciência e Inovação reconheceu que os candidatos desta fase acabaram por ser os mais afetados pelos atrasos na classificação dos exames nacionais, mas garantiu que as instituições dispõem de mecanismos para integrar os estudantes que iniciem o ano letivo mais tarde. Para muitos candidatos, esta segunda fase poderá representar uma oportunidade inesperada de ingressar em cursos que, há apenas algumas semanas, pareciam definitivamente inacessíveis.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Thought Catalog.
