No artigo de opinião publicado no jornal PÚBLICO, os governantes Fernando Alexandre, Cláudia Sarrico e Helena Canhão sublinham que “precisamos de fechar o círculo virtuoso da qualificação, do investimento em ciência e do desenvolvimento”. Os autores lembram que Portugal percorreu “um caminho notável na qualificação da população e no desenvolvimento do sistema científico e tecnológico”, mas que permanece “apenas como um inovador moderado” e “longe da média da UE” em termos de produtividade e salários.
Para os autores, a reforma em curso no ensino superior assenta em objetivos estratégicos claros: “reforçar a equidade no acesso a um Ensino Superior de qualidade; garantir percursos de sucesso e bem-estar para todos os estudantes; promover a participação ativa no Espaço Europeu de Ensino Superior; e aprofundar a integração com o mercado de trabalho”. Referem ainda que a revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior dará “um passo decisivo no reforço da autonomia das universidades e politécnicos”, introduzindo limites à endogamia académica e reforçando a liberdade e o mérito.
“A autonomia (…) foi reduzida pelas medidas de austeridade impostas pela troika”
Maria de Lurdes Rodrigues destaca a revisão do RJIES como uma oportunidade essencial para promover a diversidade, reforçar a autonomia e equilibrar a governação no ensino superior português.
Concurso da FCT com taxa de aprovação global de 17%
A FCT anunciou os resultados provisórios do concurso Doutor-AP 2024, que irá financiar 80 projetos de doutoramento na Administração Pública, com
O texto destaca também a criação da nova Agência para a Investigação e Inovação, que resulta da fusão da FCT com a ANI. Os autores explicam que esta agência representará “um novo paradigma” e terá “Áreas de Investigação e Desenvolvimento, estruturadas pela classificação internacional FORD, que garantem financiamento por receitas de impostos para investigação fundamental, educação doutoral, carreiras científicas, instituições e infraestruturas científicas e tecnológicas”, em paralelo com uma unidade de “Desafios Estratégicos” voltada para a investigação aplicada e a inovação empresarial.
Fernando Alexandre, Cláudia Sarrico e Helena Canhão defendem que “Portugal tem de ambicionar estar no pelotão da frente no que diz respeito à investigação e inovação”. Os autores sustentam que “o círculo virtuoso do investimento na Educação e na Ciência e do desenvolvimento só se fecha quando o talento e o conhecimento são valorizados”, insistindo na necessidade de maior estabilidade, previsibilidade e transparência em todo o sistema científico e de ensino superior.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Rui Alves.
