Lino Fernandes argumenta que “o Governo, que pretende concentrar os recursos na inovação aplicada, devia preocupar-se mais com a valorização de muitas das inovações de base científica já conseguidas, para tirar o máximo partido do investimento já efetuado”. O autor, num artigo no PÚBLICO, lembra que existem ferramentas capazes de ajudar as inovações a “alcançarem plenamente os seus objetivos sociais e económicos”, destacando o papel da administração pública como potencial “mercado de arranque e de referência” para novas soluções.
O autor identifica os mercados públicos como instrumentos fundamentais para que “novos produtos possam alcançar a escala de produção que lhes permita chegar a preços competitivos”. Exemplifica com “novos materiais de construção, tecnologias solares flutuantes ou inovações para a saúde, desenvolvidas durante a covid-19”, que poderiam ter aplicações mais amplas. Lino Fernandes acrescenta que “a articulação de investimentos complementares pode ser também uma forma de tornar mais competitivos resultados da inovação”, apontando o caso da energia das ondas e da proteção costeira como exemplos de potencial nacional.
Lino Fernandes não compreende “como há tanta preocupação com os recursos usados na investigação fundamental e não há um maior empenho em tirar partido dos investimentos já realizados”. Para o autor, “é apostando no novo que abrimos caminhos para o futuro”, defendendo uma visão mais prática e integradora da política científica portuguesa.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Kevin Ku.


