Numa entrevista, Helena Carreiras, nova reitora do Iscte, manifestou preocupação com a revisão em curso do regime de graus e diplomas, alertando para os riscos de exclusão no acesso ao ensino superior. A responsável sublinha que é fundamental “garantir que o diploma assegura condições de equidade” e que não venha a “criar maiores desigualdades no acesso à universidade”.
A académica defende que o foco das instituições não deve estar na imposição de critérios de exclusão, mas na criação de condições para que os estudantes reforcem as suas competências logo à entrada no ensino superior. Como afirmou ao PÚBLICO, “não queremos excluir, queremos ajudar a melhorar”, defendendo uma abordagem centrada no apoio ao sucesso académico e não na criação de novas barreiras.
A entrevista aborda também o impacto das mudanças tecnológicas, em particular da inteligência artificial. Helena Carreiras sustenta que a IA deve ser usada “como parceira do pensamento e não como um obstáculo à cognição”, rejeitando lógicas de proibição e defendendo antes a formação de docentes e estudantes para uma utilização crítica e ética destas ferramentas.
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Outro dos pontos destacados prende-se com o financiamento das instituições. A reitora refere que o Iscte continua abaixo da média nacional em termos de dotação por estudante, apontando para uma necessidade de revisão do modelo. Segundo a própria, a instituição recebe cerca de 3500 euros por aluno, abaixo da média de aproximadamente 5000 euros no sistema.
Helena Carreiras sublinha ainda a importância de preservar o sistema binário entre universidades e politécnicos, recusando uma homogeneização do ensino superior que apague missões distintas. Para a reitora, é essencial manter a diferenciação entre a formação avançada e a vertente mais tecnológica e vocacional.
A entrevista termina com um alerta mais amplo sobre o papel das universidades na defesa da democracia, da liberdade académica e do pensamento crítico. Num contexto internacional marcado por pressões sobre as instituições de ensino, a reitora considera que as universidades devem continuar a afirmar-se como espaços de liberdade, conhecimento e resistência à desinformação.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Devon Divine.