A adoção de ferramentas de inteligência artificial no ensino superior português continua a crescer, mas sem o correspondente enquadramento institucional. Segundo o PÚBLICO, apenas 17% das instituições que já utilizam IA no ensino definiram políticas claras para a sua utilização, revelando um desfasamento significativo entre prática e regulação.
O primeiro diagnóstico nacional sobre esta matéria mostra que 52,9% das universidades e politécnicos inquiridos reportam a utilização de IA no ensino, enquanto 42,6% a usam na investigação e 26,5% em atividades de gestão. No entanto, como sublinha o relatório citado pelo jornal, “o dado mais importante do retrato português é o desfasamento entre implementação e formalização institucional”, deixando em muitos casos a decisão ao critério de cada docente.
O estudo identifica um problema de governação e responsabilidade institucional. O PÚBLICO destaca que “a adopção de IA generativa no ensino superior avançou mais depressa do que a capacidade institucional de definir regras claras, consistentes e comparáveis”, o que levanta questões sobre autoria, fiabilidade, transparência e justiça nos processos de ensino e avaliação.
“O Potencial da IA”: palestra explora impacto da IA na sociedade
A palestra “O Potencial da IA”, promovida pelo GDG Madeira, explora as oportunidades e desafios da Inteligência Artificial, destacando o seu impacto na sociedade e no mercado de trabalho.
NOVA é a primeira a usar o Microsoft Fabric nos currículos
A NOVA Information Management School (NOVA IMS) tornou-se pioneira mundial ao incorporar o Microsoft Fabric, permitindo a introdução de inteligência artificial
Entre as recomendações apresentadas, destaca-se a necessidade de cada utilização de IA incluir interpretação humana explícita, validação crítica dos resultados e declaração clara sobre quando e como a ferramenta contribuiu para o trabalho académico. O objetivo passa por evitar que a rapidez da inovação tecnológica ultrapasse a capacidade de decisão pedagógica e ética das instituições.
O diagnóstico aponta ainda que a formação de docentes é, atualmente, a área com adoção mais robusta, enquanto a formação dirigida aos estudantes permanece desigual entre instituições. Este desequilíbrio poderá influenciar a forma como as novas ferramentas são integradas nos processos de aprendizagem e avaliação.
Para responder a este cenário, está em estudo a criação de uma plataforma nacional de boas práticas que permita partilhar recursos, modelos e critérios entre instituições. Como sintetiza o relatório, o desafio já não é decidir se a IA está presente no ensino superior, mas assegurar que a sua integração não substitui o julgamento humano, a autoria intelectual e a responsabilidade académica.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Wes Hicks.