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Formação de professores recupera, mas continua longe das necessidades das escolas

Formação de professores recupera, mas continua longe das necessidades das escolas

Apesar do aumento do número de diplomados nos cursos de formação de professores, os dados mostram que Portugal continua a formar docentes em quantidade insuficiente.

Depois de vários anos de quebra, a formação inicial de professores começa a revelar sinais de recuperação. Ainda assim, o ritmo permanece insuficiente para compensar as aposentações e responder às necessidades das escolas. Entre 2021 e 2025 diplomaram-se 9466 professores, mais 1585 do que no quinquénio anterior. Apesar desta evolução positiva, o número continua muito abaixo dos 20.237 novos docentes formados entre 2006 e 2010, período em que a procura pela profissão era significativamente superior.

A análise divulgada pela Pordata ganha particular relevância quando comparada com as projeções para os próximos anos. O Estudo de Diagnóstico de Necessidades Docentes estima que serão necessários cerca de 20 mil novos professores até 2029-2030 e 38 mil até 2034-2035, o que implica formar aproximadamente 3800 docentes por ano. Atualmente, o sistema está a produzir cerca de dois mil novos professores anuais, um valor inferior às cerca de três mil aposentações previstas em cada ano.

As maiores dificuldades concentram-se no 3.º ciclo e no ensino secundário. É precisamente nestes níveis de ensino que se verificou a quebra mais acentuada na formação de docentes ao longo das últimas duas décadas. Apesar da recuperação recente, continuam a existir áreas onde a oferta permanece muito reduzida. Entre 2021 e 2025 diplomaram-se 1930 professores para estes ciclos, quase o dobro dos registados entre 2016 e 2020, mas ainda muito abaixo dos 3577 formados entre 2006 e 2010. História e Geografia, Biologia e Geologia, Matemática e Física e Química apresentam sinais de crescimento, embora insuficientes para responder às necessidades identificadas.

Também a procura pelos mestrados em ensino voltou a aumentar. Entre os anos letivos de 2022-2023 e 2024-2025, o número de inscritos nos mestrados destinados à formação de professores do 3.º ciclo e secundário cresceu 28%, passando de 1165 para 1486 estudantes. Os aumentos mais expressivos verificaram-se em Biologia e Geologia e em Português, enquanto disciplinas como Física e Química ou Matemática continuam a atrair um número reduzido de candidatos, mantendo-se abaixo das necessidades previstas para os próximos anos.

A distribuição desta formação continua igualmente marcada por fortes assimetrias territoriais. A sul do Tejo, onde se concentram algumas das maiores carências de docentes, formaram-se apenas cerca de 1400 professores entre 2015 e 2024. Em determinadas regiões, como a Península de Setúbal, o Alentejo e o Algarve, chegou a não existir qualquer estudante inscrito em alguns mestrados de ensino para áreas das artes e das humanidades. Ao mesmo tempo, o Governo procura reforçar a capacidade formativa através de contratos-programa celebrados com instituições de ensino superior, embora os efeitos dessa medida só devam tornar-se visíveis dentro de vários anos.

Entretanto, a escassez continua a fazer-se sentir nas escolas. A poucos dias do início do novo ano letivo, milhares de horários permaneciam por preencher através do mecanismo de oferta de escola, refletindo dificuldades persistentes no recrutamento de docentes. Os dados agora divulgados mostram que a recuperação da formação de professores já começou, mas deixam igualmente claro que, sem um aumento mais expressivo da procura pelos cursos de ensino e da capacidade de formação das instituições, Portugal continuará a enfrentar uma insuficiência de docentes durante a próxima década.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de CDC.

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