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FADU quer reservar 50 euros por estudante para o desporto

FADU quer reservar 50 euros por estudante para o desporto

A Federação Académica do Desporto Universitário propõe que uma parcela das propinas já cobradas seja destinada anualmente ao desporto e ao bem estar nos campus, sem aumentar o valor pago pelos estudantes.
António Ribeiro, estudante-atleta da UMa (1.º a esquerda), com a restante equipa que recebeu a medalha de prata na prova de k4 500 metros do mundial universitário, em agosto de 2024.

Cinquenta euros por estudante e por ano. É este o valor que a Federação Académica do Desporto Universitário propõe afetar à criação do Fundo Campus +Ativo, pensado para dar maior estabilidade ao financiamento do desporto no ensino superior. A verba sairia das receitas das propinas já cobradas pelas instituições, sem representar qualquer encargo adicional para os estudantes. Numa instituição com 5000 alunos, o mecanismo permitiria reunir 250 mil euros por ano. Com 20 mil estudantes, o montante chegaria a um milhão.

A proposta procura responder a uma realidade que a FADU considera de subfinanciamento estrutural. Um diagnóstico divulgado pela federação no início deste ano concluiu que 61% das instituições de ensino superior não dispõem de instalações desportivas próprias e 89,5% dependem de parcerias externas ou de recintos de terceiros. Há ainda 56,6% dos responsáveis que classificam as instalações existentes como insuficientes ou muito insuficientes perante a procura. “Com 50 euros por estudante podemos transformar os nossos campus, democratizar o acesso à prática desportiva e assumir uma ideia muito simples: no Ensino Superior, o saber e a saúde têm de caminhar lado a lado”, declarou Diogo Salgado Braz, presidente da FADU Portugal, citado pelo PÚBLICO.

O dinheiro teria uma distribuição previamente definida. A maior parcela, correspondente a 40%, seria aplicada em infraestruturas e modernização dos campus, seguindo-se 30% para desporto informal e saúde mental. A competição universitária receberia 20% e os restantes 10% seriam destinados ao associativismo estudantil. Entre as possibilidades apresentadas encontram-se a recuperação de pavilhões e balneários, a criação de circuitos para caminhada e corrida, espaços exteriores para atividade física, aulas de grupo e programas dirigidos aos estudantes do primeiro ano.

O Fundo Campus +Ativo foi apresentado aos ministérios responsáveis pelo Ensino Superior e pelo Desporto, bem como às estruturas representativas das universidades, politécnicos e instituições privadas. A FADU pretende também levar a proposta aos partidos com representação parlamentar. O modelo não seria vinculativo e admite diferentes formas de aplicação, respeitando a autonomia das instituições. A federação propõe ainda planos anuais de investimento, relatórios públicos e comissões de acompanhamento, procurando garantir que as verbas destinadas ao desporto universitário tenham execução e impacto avaliáveis.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia da FADU.

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