A época 2026-2027 começa com uma base de praticantes que seria difícil imaginar há duas décadas. Os dados definitivos do Instituto Português do Desporto e Juventude mostram que Portugal atingiu 860.886 praticantes federados em 2025, contra 844.186 no ano anterior. Em 2003 eram 376.465. A evolução não resulta apenas do crescimento dos escalões adultos. Segundo a PORDATA, com dados do IPDJ, 493.974 praticantes encontravam-se nos escalões até juniores e outros 61.952 eram juniores. Em conjunto, representam perto de 65% de todos os atletas federados do país.
É também entre os mais novos que se percebe a dimensão da transformação. Em 2003 existiam 185.302 praticantes nos escalões até juniores e 40.014 juniores. Em 2025, os dois grupos somavam 555.926 atletas, quase duas vezes e meia o valor registado há 22 anos. O crescimento recente confirma a recuperação posterior à pandemia, embora os números devam ser lidos com alguma prudência, já que contabilizam inscrições federativas e não permitem, por si só, medir a permanência dos jovens no desporto ao longo dos diferentes escalões.
Torneio de Padel interuniversitário marca a estreia universitária da modalidade na Madeira
Entre 27 e 28 de janeiro, a Quinta Magnólia recebeu o primeiro torneio interuniversitário da modalidade de Padel, organizado pela ACADÉMICA DA MADEIRA. Em competição estiveram 11 duplas que integraram estudantes das três maiores instituições de Ensino Superior da Madeira.
Os desafios da escola e da educação física é o tema que os estudantes de ensino apresentam. Nos próximos anos, serão precisos 34.500 novos professores
Entre 1 e 2 de março, um grupo de estudantes do Mestrado em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e
A formação portuguesa chega, por isso, a 2026-2027 com um desafio diferente daquele que enfrentava quando a prioridade era simplesmente aumentar o número de praticantes. Hoje importa saber quantos permanecem, em que condições treinam e quantos conseguem conciliar a prática competitiva com a escola e, mais tarde, com o ensino superior. Há também uma desigualdade que continua visível. Dos 860.886 praticantes federados contabilizados em 2025, 577.754 eram homens e 283.132 mulheres. Embora o número de praticantes femininas tenha aumentado face às 276.223 registadas em 2024, elas representam apenas cerca de um terço do total.
A perspetiva para esta época é, assim, favorável nos números e mais exigente naquilo que se espera dos clubes. O país entra em 2026-2027 depois de alcançar 75,5 praticantes federados por cada mil habitantes, o valor mais elevado da série disponibilizada pela PORDATA. Para o desporto de formação, crescer já não pode significar apenas inscrever mais crianças e jovens. A qualidade dos treinadores, a segurança, o desportivismo, a capacidade de evitar o abandono precoce e a criação de condições para que a formação desportiva acompanhe o percurso escolar serão determinantes para perceber se estes máximos representam uma mudança duradoura ou apenas um crescimento estatístico.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Tomás Barbosa/The Frame Agency.
