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Quartos a 500 euros tornam estudar longe de casa cada vez mais difícil

Quartos a 500 euros tornam estudar longe de casa cada vez mais difícil

O preço do alojamento está a transformar a escolha de estudar noutra cidade numa decisão cada vez mais condicionada pela capacidade financeira dos estudantes e das suas famílias.

Conseguir uma vaga no ensino superior pode ser apenas o primeiro obstáculo para quem precisa de abandonar a residência familiar. Encontrar um quarto tornou-se uma preocupação quase imediata e os preços continuam a subir nas principais cidades universitárias. Em Lisboa, o valor médio já ronda os 500 euros mensais, enquanto em Cascais se aproxima dos 490 euros. No Porto, um estudante deslocado pode esperar pagar mais de 400 euros apenas pelo quarto, refere o PÚBLICO num episódio do podcast Hoje dedicado ao problema do alojamento estudantil.

A pressão não se limita às cidades onde os preços atingem os valores mais elevados. Um inquérito realizado pela Associação Académica de Coimbra revela que um em cada quatro estudantes já ponderou abandonar o ensino superior devido aos custos associados à frequência universitária, sobretudo os relacionados com a habitação. Entre aqueles que dependem do mercado privado, dois terços pagam pelo menos 300 euros mensais por um quarto.

A ministra veio, o ministro virá e todas as obras estão por começar

São três obras previstas, desde 2022, e nenhuma iniciada. O concurso para a empreitada da futura Residência de São Roque teve excluída a única proposta apresenta. As obras para renovação da residência da rua de Santa Maria aguardam, desde 2023, pelo seu início. A Universidade, em resposta aos atrasos, destaca que “é muito importante que o próximo Executivo e a opinião pública percepcionem a extraordinária oportunidade que o PNAES – PRR representa para o Ensino Superior, atendendo à urgente necessidade de resposta à procura de alojamento”. O Presidente da Direção da ACADÉMICA DA MADEIRA reforça que “além da construção, são necessárias verbas regulares para a manutenção das infraestruturas”, situação que os executivos “não têm assegurado”.

Há ainda outra realidade menos visível nos valores anunciados. Um em cada três estudantes abrangidos pelo inquérito em Coimbra vive sem contrato de arrendamento nem recibo. Para quem estuda longe de casa, o problema deixa assim de se resumir à disponibilidade de alojamento e ao preço pedido pelos proprietários. A ausência de formalização do arrendamento acrescenta uma situação de maior fragilidade a estudantes que dependem daquele quarto para conseguirem frequentar o curso.

O alojamento começa, desta forma, a interferir no próprio acesso ao ensino superior. A colocação numa instituição distante da residência familiar implica avaliar se é possível suportar uma despesa mensal que, só com um quarto, pode chegar aos 500 euros, antes de acrescentar alimentação, transportes e restantes custos da vida académica. O problema discutido pelo PÚBLICO coloca uma questão que vai além do mercado de arrendamento. Quando um estudante pondera abandonar os estudos por não conseguir pagar um lugar para viver, a condição económica passa também a determinar até onde pode chegar o seu percurso académico.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de engin-akyurt.

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