Desporto universitário, que futuro?

Os projectos desportivos devem ser implementados consoante a realidade de cada instituição. De facto, “dar um passo maior do que a perna” resulta inevitavelmente num prejuízo muitas vezes irremediável e poucas vezes assumido. As colectividades madeirenses têm vivido tempos austeros e de grande dificuldade para poderem pôr em prática as suas ideias e as suas vontades.

Os últimos três anos foram de autêntico “salve-se quem puder” onde todos os argumentos foram válidos para defender a sua dama. No entanto, começam a surgir ideias novas e conceitos diferentes capazes de abanar e abalar a rotina criada por dirigentes desportivos resignados a um passado que não se coaduna com as novas realidades económicas, sociais e culturais da nossa ilha.

O poder instalado é sem dúvida um dos grandes responsáveis pelo momento por que passa o desporto na nossa região. Aliás, existem agora cada vez mais estudiosos da problemática desportiva madeirense mas poucos se atrevem a apresentar soluções válidas, mas sobretudo concretas, para melhorar aquilo que outrora fazia viver muitas dezenas de milhares de madeirenses.

Fazendo uma introspecção, não tenho dúvida de que somos, enquanto instituição, visados nesta problemática dos objectivos e propósitos que nos propomos alcançar no desporto universitário. Também nós vivemos anos-a-fio sem o controlo nem a objectividade que se nos exigia enquanto parte de uma instituição maior como a Universidade da Madeira. De facto, as duas organizações confundiam-se muitas vezes nas competições nacionais e internacionais. A Associação Académica procurou e procura sempre dignificar e defender as suas ideias e projectos, nunca renegando o seu papel e a sua posição dentro da instituição que nos alberga e possibilita desenvolver projectos fundamentais para ambas as instituições. Esta estreita cooperação tem permitido pôr em prática inúmeros projectos de mais-valia para os estudantes da Universidade mas também para os demais associados da académica madeirense.

Infelizmente, o projecto desportivo universitário tem sido esquecido dentro desta mecânica de cooperação entre as duas instituições. Apesar do Departamento de Desporto e Educação Física da Universidade ter elementos de reconhecida mais-valia no panorama da vida desportiva madeirense, ainda existem muitas reticências em relação à sua cooperação com a Associação Académica no desenvolvimento de um programa desportivo capaz de se adequar às necessidades da comunidade académica. Não querendo “sacudir a água do capote”, não posso deixar de ficar desiludido com a ausência de estratégias por forma a desenvolver um projecto desportivo à medida da nossa realidade geográfica, social e claro, económica. Num momento em que todos sabemos que os recursos financeiros são escassos, nada melhor do que encontrar parceiros que consigam colmatar essa necessidade. Que melhor parceiro quer senão aquele que divide connosco o mesmo tecto?

Desportivamente,
Arlindo Silva

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