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FATUM no Teatro Municipal para celebrar a Autonomia

FATUM no Teatro Municipal para celebrar a Autonomia

O grupo de fados assinala 50 anos da autonomia madeirense com homenagem a Edmundo de Bettencourt e Max.
Os FATUM atuaram na edição de 2024 das Festas da Cidade de Coimbra e da Rainha Santa Isabel.

O Teatro Municipal de Baltazar Dias recebe, no próximo dia 3 de maio, domingo, às 18:00, o espetáculo Trovas Intemporais, promovido pela Associação para Promoção da Herança Madeirense e pela Académica da Madeira, com os FATUM como anfitriões e a Tuna Universitária da Madeira como grupo convidado. Os bilhetes têm um custo de 10 euros e podem ser adquiridos na bilheteira do Teatro ou na Ticketline. O concerto propõe uma viagem pela tradição musical académica, pelo fado de Coimbra e por repertórios que dialogam com a memória cultural madeirense e portuguesa.
A iniciativa pretende assinalar os 50 anos do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma da Madeira, tomando a música como ponto de encontro entre a história e a identidade. Num ano particularmente significativo para a região, o espetáculo procura recordar que a autonomia também se constrói através da valorização da cultura, da preservação da memória coletiva e do reconhecimento das figuras que ajudaram a projetar a Madeira para lá das suas fronteiras.

Neste contexto, o programa dedica especial atenção a dois vultos madeirenses da música portuguesa, Edmundo de Bettencourt e Max. Apesar de pertencerem a universos musicais distintos, ambos representam formas marcantes de presença da Madeira na cultura nacional, seja pela ligação à canção de Coimbra, seja pela força da música popular e urbana que atravessou gerações.

Com um percurso consolidado na interpretação e divulgação do fado de Coimbra, os FATUM apresentam-se neste espetáculo com um programa que cruza tradição académica, património musical português, cultura e identidade insular. A proposta artística parte de um repertório reconhecível, mas procura também reinscrevê-lo num momento comemorativo, em que a música serve de ponte entre a evocação histórica e a experiência viva do palco.

O alinhamento dos FATUM reúne Andreia Fernandes, Carlos Abreu e Tiago Rocha nas guitarras clássicas, contando ainda com Diogo Freitas como convidado. Nas guitarras de Coimbra estarão Afonso Brazão, David Freitas e Guilherme Morais, com a participação do convidado Pedro Gouveia. As vozes de Carlos Diogo Pereira, Eduardo Ferreira, Guilherme Morais, Madalena Barbeito, Manuel Gonçalves e Martim Peixoto completam uma formação que valoriza o trabalho coletivo e a diversidade tímbrica, com a continuidade de uma tradição interpretativa exigente.

10.º aniversário dos FATUM

Os FATUM – Grupo de Fados da ACADÉMICA DA MADEIRA sobem ao palco do Baltazar Dias para comemorar uma década de atividade, num concerto que reúne doze dos temas mais

A primeira parte do programa, apresentada sob o título Trovas Intemporais, inclui temas como “Menina dos Olhos Tristes”, interpretado por Eduardo Ferreira, “Canção das Lágrimas”, por Manuel Gonçalves, “Rua Larga”, por Madalena Barbeito, e “Romagem à Lapa”, por Carlos Diogo Pereira. Este momento inicial afirma a dimensão intemporal de um repertório em que a palavra, a melodia e a interpretação se encontram para dar corpo a emoções que permanecem atuais.

O espetáculo prossegue com uma homenagem a Edmundo de Bettencourt, figura incontornável da cultura portuguesa e nome associado a uma das fases mais marcantes da canção de Coimbra. Neste segmento, os FATUM interpretam “Fado dos Olhos Claros”, por Martim Peixoto, “Samaritana”, por Manuel Gonçalves, e “Saudades de Coimbra”, por Guilherme Morais, numa versão ligada à memória musical de Zeca Afonso.

A evocação de Edmundo de Bettencourt assume particular significado numa celebração dedicada à autonomia madeirense. Nascido na Madeira, Edmundo Bettencourt tornou-se uma referência artística e intelectual que ultrapassou o território de origem, afirmando-se no panorama cultural português pela sensibilidade poética, pela força interpretativa e pela ligação a uma tradição musical que continua a ser estudada, cantada e reinterpretada.

O programa inclui ainda uma homenagem a Max, outro nome maior da música portuguesa com origem madeirense, cuja voz marcou profundamente o imaginário popular português. Os FATUM interpretam “As Bordadeiras”, por Eduardo Ferreira, “Nem às Paredes Confesso”, por Madalena Barbeito, e “Oh Ai, Menina Oh Ai”, por Manuel Gonçalves, revisitando um repertório que permanece ligado à memória afetiva de muitas gerações e à projeção nacional da Madeira.

Segundo Gonçalo Nuno Martins, Presidente da Direção da Herança Madeira, “ao reunir estas duas homenagens, Trovas Intemporais propõe uma leitura musical da Madeira enquanto espaço de criação, de circulação cultural e, por fm, de afirmação identitária”. Para o No ano em que se assinala meio século de autonomia política e administrativa da região, o espetáculo recorda que “a cultura continua a ser uma das formas mais duradouras de afirmar uma comunidade, preservar a sua memória e projetar o seu futuro dentro do país e por todo o mundo”.

A Associação para Promoção da Herança Madeirense tem vindo a desenvolver um trabalho continuado de valorização das artes, da história, da cultura, do turismo e do património da Madeira, promovendo iniciativas que aproximam a comunidade dos seus lugares de memória, das suas expressões artísticas e das figuras que marcaram a identidade local e regional. Através de programas culturais, visitas orientadas, concertos, projectos editoriais e ações educativas, a associação procura tornar o património mais acessível, vivo e participado, ligando investigação, divulgação cultural e envolvimento cívico.

Este espetáculo integra essa missão, ao propor uma celebração da autonomia madeirense através da música e da evocação de dois artistas madeirenses com expressão nacional. Para a Herança Madeirense, assinalar os 50 anos do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma da Madeira “é também recordar que a autonomia se afirma na capacidade de reconhecer, de estudar e de partilhar a herança cultural da nossa região, valorizando o passado sem deixar de o projectar para novas gerações e novos públicos”, remata Gonçalo Nuno Martins.

Luís Eduardo Nicolau
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Henrique Santos.

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