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Escolher um curso começa muito antes dos exames

Escolher um curso começa muito antes dos exames

Conversamos sobre a preparação para o ensino superior e sobre as decisões que começam a ganhar forma durante o secundário.
Painel do PEÇO A PALAVRA de 23 de setembro de 2026.

A preparação para o ensino superior começa antes da candidatura. É esse o ponto de partida do novo episódio do Peço a Palavra, na antena da TSF Madeira, que recebe Ricardo Gonçalves, diretor do Gabinete do Ensino Superior da Madeira. Com a participação de Tiago de Faria Miranda e Gabriel Soares, da Associação para Promoção da Herança Madeirense, a emissão olha para as decisões que os estudantes podem começar a preparar durante o secundário, tendo em vista o ingresso em 2027.

O programa, produzido pela Académica da Madeira, dedica a conversa às dúvidas que acompanham esta transição. A escolha dos exames e a preparação da candidatura cruzam-se com questões sobre o contingente regional da Madeira e as bolsas de estudo. O objetivo é aproximar a informação dos estudantes e das famílias, numa fase em que nem sempre é fácil perceber por onde começar.

Os resultados de 2026 dão dimensão ao tema. Na primeira fase do Concurso Nacional de Acesso, apresentaram-se 60 513 candidatos, mais 24,2% do que na mesma fase de 2025. Foram colocados 49 991 estudantes no ensino superior público, um aumento de 13,9% face ao ano anterior. Estes dados enquadram uma conversa que procura ajudar os próximos candidatos a preparar as suas escolhas.

Na rubrica Estigmas, o painel começa por “questionar a ideia de que só é necessário pensar na universidade quando se chega ao 12.º ano”. A conversa procura perceber “que decisões merecem atenção mais cedo e como pode um aluno explorar os seus interesses sem sentir que tem de definir todo o futuro profissional aos 15 ou 16 anos”. A orientação vocacional e o contacto com as instituições surgem como formas “de conhecer melhor as possibilidades existentes”.

Outra das ideias em debate associa “uma boa média à possibilidade de entrar em qualquer curso”. O episódio propõe esclarecer a diferença entre a classificação do secundário e a nota de candidatura, dando atenção às provas de ingresso exigidas por cada instituição. Consultar a nota do último colocado “pode ajudar a conhecer os resultados anteriores e preparar uma candidatura exige também compreender os requisitos do curso pretendido”.

Os exames nacionais ocupam, por isso, uma parte central da emissão. Ricardo Gonçalves é convidado a explicar a relação entre os exames realizados no secundário e a sua utilização como provas de ingresso. A conversa aborda o que deve ser confirmado antes da inscrição e as dúvidas de quem pondera repetir uma prova na segunda fase. Para os estudantes que pretendem candidatar-se em 2027, interessa “distinguir a informação já disponível das regras e dos calendários que terão de acompanhar ao longo do ano”.

A preparação académica é abordada juntamente com a pressão sentida pelos jovens. O painel coloca em discussão o apoio que pode ser procurado na escola e a forma como as famílias podem acompanhar o estudo. Há também espaço para refletir sobre as expectativas dos pais e sobre a importância de o estudante participar ativamente numa decisão que irá marcar os próximos anos da sua vida.

Em 2026, a taxa de colocação na primeira fase atingiu 82,6%. Entre os estudantes admitidos, 84,5% ficaram numa das três primeiras opções. Estes resultados ajudam a introduzir outro tema do episódio, a construção da lista de preferências e a importância de escolher alternativas que o candidato esteja efetivamente disposto a frequentar.

O percurso até à submissão da candidatura é apresentado a partir das dúvidas de quem enfrenta o processo pela primeira vez. A conversa passa pela documentação necessária e pelo apoio disponível para esclarecer dificuldades. A possibilidade de um exame correr abaixo do esperado também é considerada, procurando perceber que opções podem ser avaliadas antes de abandonar um objetivo ou alterar o plano inicial.

Para os candidatos madeirenses, o contingente regional merece particular atenção. Na rubrica Estigmas, a afirmação de que “concorrer por este contingente garante uma vaga” serve de ponto de partida para esclarecer a sua finalidade. O episódio procura explicar quem pode beneficiar deste enquadramento e que condições precisam de ser comprovadas.

A existência de um curso congénere na Universidade da Madeira e a sua relação com a ordenação das opções são igualmente colocadas ao diretor do Gabinete do Ensino Superior da Madeira. O painel procura tornar compreensíveis questões que podem ter consequências na candidatura, recorrendo a exemplos próximos da realidade dos estudantes da região. O papel do Gabinete do Ensino Superior no esclarecimento destas dúvidas acompanha esta parte da conversa.

Das 56 228 vagas colocadas a concurso na primeira fase de 2026, sobraram 6 639 para a segunda fase, menos 42,3% do que no ano anterior. A redução reforça a pertinência de conhecer o funcionamento das diferentes fases e de ponderar as opções com antecedência. Estes números referem-se a 2026 e não antecipam a oferta de vagas de 2027.

A distribuição das colocações pelos dois subsistemas revela diferenças na evolução face a 2025. Na primeira fase do Concurso Nacional de Acesso de 2026, o ensino superior universitário recebeu 30 680 novos estudantes, mais 2 294 do que no ano anterior, um crescimento de 8,1%. Estes resultados enquadram a reflexão sobre a escolha de uma instituição e a importância de conhecer o plano de estudos de cada curso antes de apresentar a candidatura.

No ensino superior politécnico, o aumento foi mais acentuado. Foram colocados 19 311 estudantes na primeira fase de 2026, mais 3 798 do que em 2025, o que corresponde a uma subida de 24,5%. O crescimento percentual foi cerca de três vezes superior ao registado no ensino universitário. A comparação dá contexto à importância de explorar a oferta dos dois subsistemas durante o secundário, procurando perceber como cada formação se aproxima dos interesses do estudante e do percurso que pretende construir.

As condições económicas das famílias constituem outro eixo do episódio. A ideia de que “não vale a pena pedir bolsa quando os pais trabalham” é uma das afirmações escolhidas para debate. A partir dela, a conversa procura esclarecer que informação deve ser consultada antes de concluir se existe ou não possibilidade de apoio.

O programa “distingue a candidatura ao ensino superior do pedido de bolsa” e coloca questões sobre os momentos em que cada processo deve ser preparado. Ricardo Gonçalves é ainda convidado a abordar as diferenças entre os apoios nacionais e os do Governo Regional, bem como as condições que os estudantes devem confirmar em cada caso.

Para quem pondera estudar fora da Madeira, o alojamento pode pesar desde o início na decisão. A emissão dedica atenção à procura de residência e às despesas que surgem antes do começo das aulas. Considera também a situação de uma família cujos rendimentos diminuem durante o ano letivo, procurando identificar onde pode o estudante pedir ajuda para continuar a estudar.

O Peço a Palavra é um espaço dedicado ao ensino superior e à participação estudantil. O nome recupera a intervenção de Alberto Martins, em Coimbra, ligada à Crise Académica de 1969. O programa é uma produção da Académica da Madeira em parceria com a TSF e, neste episódio, conta com a colaboração da Associação para Promoção da Herança Madeirense.

Luís Eduardo Nicolau
Com Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Helena Lopes.

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