O ministro da Educação, Ciência e Inovação acusou a Federação Nacional dos Professores de ter procurado fazer fracassar o processo de classificação digital dos exames nacionais. Fernando Alexandre falava em Guimarães, depois de ser questionado sobre o pedido de intervenção apresentado pela Fenprof à Provedora de Justiça devido aos pagamentos aos professores classificadores. “E foi cumprido, os professores foram fantásticos e, mais uma vez, isso é que incomoda a Fenprof, que correu bem. E a Fenprof fez tudo para que corresse mal”, declarou o ministro, segundo a LUSA.
Fernando Alexandre associou a crítica à decisão do Governo de voltar a remunerar os docentes responsáveis pela classificação dos exames. Segundo os dados avançados pelo governante, foram pagos três milhões de euros a mais de 11 mil professores, cerca de 10 mil dos quais receberam em agosto. “Professores que recebiam zero e que nunca ouvi a Fenprof pedir que fossem pagos”, afirmou, recordando que este pagamento tinha sido interrompido em 2010. O ministro sustentou ainda que, durante as reuniões realizadas com a estrutura sindical nos últimos dois anos e meio, nunca ouviu a Fenprof reclamar a reposição dessa remuneração.
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O diferendo mantém-se, contudo, quanto ao trabalho suplementar realizado pelos classificadores e relatores dos exames nacionais no ano letivo 2025-2026. A Fenprof considera que os docentes devem ser remunerados pelas horas extraordinárias, incluindo o trabalho realizado durante fins de semana e férias para garantir o cumprimento dos prazos. Fernando Alexandre rejeitou esse entendimento no caso específico da classificação. “Porque um professor pode, perfeitamente, numa sexta-feira, decidir, por razões familiares, prestar apoio à família e depois, no fim de semana, corrigir os exames. Ora, é muito difícil definir, o professor é que decide quando vai corrigir”, explicou, em declarações recolhidas pela LUSA.
O ministro reconheceu ainda que o novo sistema permitiu identificar problemas na organização da classificação, incluindo “a forma como eram geridos os professores classificadores, que deram muitos problemas”. Para o próximo ciclo de exames, o Ministério pretende alterar o modelo de funcionamento. “E por isso aquilo que eu já anunciei é que vamos ter uma contratualização com os professores classificadores e eles continuarão a ser pagos, como este Governo voltou a fazer”, afirmou Fernando Alexandre. A polémica em torno da correção digital já motivou a criação de uma comissão parlamentar de inquérito e a abertura de um inquérito pelo Ministério Público.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Gonçalo Borges Dias / GPM.
