O primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu que Portugal tem “cada vez mais a obrigação” de reduzir a dependência permanente de fundos europeus para financiar o seu desenvolvimento. A posição foi assumida no Porto, durante a sessão que assinalou a passagem do Instituto Politécnico do Porto a Universidade Técnica do Porto, numa intervenção noticiada pelo PÚBLICO.
Na mesma intervenção, Montenegro afirmou que o país deve colocar-se “acima da necessidade de estarmos permanentemente à espera de fundos” para poder desenvolver-se e financiar investimento. O aviso surge num momento em que já se discutem, na União Europeia, as orientações do próximo quadro financeiro plurianual, que começará em 2028.

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O chefe do Governo alertou que esse novo ciclo de financiamento europeu estará mais orientado para “a economia, para a competitividade” e para projetos de “excelência”. Nesse contexto, deixou claro que nenhum país terá garantias prévias de beneficiar automaticamente de maior capacidade financeira, exigindo-se propostas mais robustas, inovadoras e capazes de competir à escala europeia.
As instituições de ensino superior surgem, neste quadro, como atores essenciais. Montenegro defendeu que universidades, politécnicos e empresas devem colaborar para apresentar “projectos válidos à escala europeia”, capazes de reforçar a posição de Portugal num ambiente cada vez mais competitivo e menos assente na distribuição tradicional de fundos.
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O primeiro-ministro afirmou ainda que é necessário preparar projetos “já”, para que o país esteja pronto “no primeiro dia” do novo quadro financeiro. A mensagem é clara: Portugal terá de disputar financiamento europeu com base na qualidade, na inovação e na capacidade de estabelecer parcerias, e não apenas na lógica de coesão que marcou décadas anteriores.
Na cerimónia, Montenegro recordou também que desde 1986 não era criada uma universidade em Portugal, ano em que surgiu a Universidade da Madeira. A criação da Universidade Técnica do Porto, aprovada em Conselho de Ministros a 21 de maio, foi apresentada como parte de uma nova etapa para o ensino superior, orientada para “criação de valor, de criação de escala, de criação de capacidade”.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Mariana Branco / Portal do Governo..
