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Semana de quatro dias para estudantes do ensino superior

Semana de quatro dias para estudantes do ensino superior

A Federação Académica do Porto defendeu a adoção de uma semana de quatro dias de aulas para os estudantes universitários, como forma de melhorar o seu bem-estar, desempenho e conciliação com a vida profissional.

A Federação Académica do Porto (FAP) apresentou uma proposta para a adoção de uma semana académica de quatro dias, de segunda a quinta-feira, para os estudantes do ensino superior. Segundo o EXPRESSO, a ideia surgiu de um estudo conduzido pela própria federação, que envolveu mais de 2.600 estudantes, dos quais 90% revelaram interesse ou total concordância com o modelo. A proposta visa permitir aos estudantes utilizar a sexta-feira para atividades extracurriculares, trabalho remunerado, deslocações ou apoio às famílias, promovendo uma melhor conciliação entre a vida académica e pessoal.

Francisco Porto Fernandes, presidente da FAP, sublinhou que a medida tem como objetivo responder aos novos desafios enfrentados pelos estudantes, muitos dos quais conciliam os estudos com o trabalho. “Queremos que este tema seja discutido nas universidades e politécnicos”, afirmou, defendendo a realização de projetos-piloto no ano letivo 2025-2026. A proposta, explicou, não pretende reduzir a carga horária, mas reorganizá-la ao longo de quatro dias, mantendo os conteúdos programáticos e a carga letiva legalmente exigida.

A FAP fundamenta a sua sugestão em experiências internacionais, nomeadamente do Reino Unido, onde modelos semelhantes demonstraram impacto positivo no desempenho e na assiduidade dos estudantes. Segundo o inquérito aplicado pela federação, mais de metade dos estudantes admite trabalhar durante os estudos, o que acentua a necessidade de encontrar modelos de organização do tempo mais flexíveis. A proposta inclui também o reforço do acesso a serviços de apoio psicológico, reforçando a ligação entre rendimento académico e saúde mental.

A federação defende ainda que esta reorganização poderá contribuir para aliviar a pressão nos transportes e alojamento nas grandes cidades, ao reduzir a permanência semanal de muitos estudantes deslocados. A proposta será agora apresentada ao Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, ao Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação. A FAP pretende que o modelo seja debatido de forma aberta e que possa ser adotado por instituições que manifestem interesse em testar novas abordagens pedagógicas.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Annie Spratt.

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