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Pedro Lourtie defende abertura à acreditação de cursos por agências estrangeiras

Pedro Lourtie defende abertura à acreditação de cursos por agências estrangeiras

Em artigo publicado no PÚBLICO, Pedro Lourtie defende que permitir a acreditação de cursos por agências estrangeiras reforça a credibilidade internacional do ensino superior português e promove a mobilidade académica no espaço europeu.

Num artigo de opinião publicado no PÚBLICO a 13 de agosto, Pedro Lourtie analisa a proposta do Governo que prevê permitir a acreditação de ciclos de estudos por agências estrangeiras dentro da União Europeia. O autor recorda que estas entidades, para poderem operar, devem cumprir as “Normas e Diretrizes para a Garantia da Qualidade no Espaço Europeu do Ensino Superior”, estando inscritas no registo europeu EQAR. Pedro Lourtie considera que duvidar da qualidade dessas agências é pôr em causa “o trabalho feito ao longo de anos, desde a Declaração de Bolonha de 1999, na promoção da mobilidade de qualificações”.

A crítica ao modelo único de acreditação nacional surge como um alerta contra a rigidez e os riscos de estagnação institucional. O autor assinala que em países como a Alemanha existem múltiplas agências, com áreas de especialização distintas, e dá como exemplo a agência AHPGS, que já acreditou cursos em vários países europeus e fora da Europa. Em contraste, refere que em Portugal existe uma única entidade, a A3ES, que, ainda assim, já avaliou cursos em 15 países. Questiona: “Afinal, qual é o problema de instituições de um país recorrerem a agências de outro país? Receio de facilitismo, de menor exigência, de perda de credibilidade?”

Pedro Lourtie reconhece que as diferenças legais entre os sistemas nacionais exigem alguma cautela, mas argumenta que a verificação do cumprimento da legislação portuguesa pode ser assegurada pela Direção-Geral do Ensino Superior ou, futuramente, pelo Instituto para o Ensino Superior, caso este venha a ser criado. Sublinha que esta verificação não compromete “a valia e credibilidade da avaliação da qualidade feita por agências de outros países”.

Afirma que “esta abertura seria claramente benéfica para o nosso sistema de ensino superior”, defendendo uma perspetiva europeia, mais plural e aberta, na avaliação dos cursos. Para Pedro Lourtie, limitar a acreditação a uma só entidade nacional não só contraria os princípios da mobilidade académica como compromete o desenvolvimento dinâmico do sistema científico e universitário português.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Towfiqu Barbhuiya.

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