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O ódio que já não se esconde nas universidades

O ódio que já não se esconde nas universidades

Num artigo de opinião, Iúri Soares defende que o caso investigado em Coimbra expõe a gravidade da “normalização do discurso de ódio” em contexto académico.

Num artigo de opinião, Iúri Soares, estudante de licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais na NOVA FCSH, parte do caso revelado pelo PÚBLICO para refletir sobre o ambiente vivido no ensino superior. Em causa está a investigação à partilha de mensagens de teor “racista, xenófobo e misógino” num grupo de WhatsApp com estudantes da Universidade de Coimbra e do Instituto Politécnico de Coimbra.

O caso, segundo o PÚBLICO, envolve um grupo com “centenas de pessoas” e levou já à confirmação, por parte da Procuradoria-Geral da República, da “existência de inquérito a correr termos no DIAP de Coimbra”. Mais do que um episódio isolado, o caso levanta dúvidas profundas sobre a forma como determinados discursos continuam a circular e a ser tolerados em espaços frequentados por jovens universitários.

A própria Universidade de Coimbra, através da Provedoria do Estudante, informou ter desencadeado “diligências para o apuramento dos factos e envolvidos”. Numa nota citada pelo jornal, a instituição reafirma ainda “o seu compromisso centenário com o respeito por todos os membros da academia”, rejeitando “de maneira inequívoca qualquer forma de discriminação ou discurso de ódio”.

Também a Associação Académica de Coimbra veio a público condenar os factos, repudiando “os lamentáveis episódios de racismo e misoginia recentemente ocorridos, envolvendo a Universidade de Coimbra e o Instituto Politécnico de Coimbra”. A reação da estrutura estudantil confirma que a gravidade do caso não pode ser relativizada, nem remetida para a esfera da simples imprudência juvenil.

Citado pelo PÚBLICO, José Machado, presidente da AAC, alerta que esta realidade “cruza-se com a normalização do discurso de ódio para a qual temos vindo a alertar” e sublinha que “é algo recorrente”. A afirmação merece atenção redobrada, porque sugere que o problema não começa nem termina neste episódio, antes se inscrevendo numa cultura de permissividade que exige resposta firme.

Perante isto, Iúri Soares sustenta que o ensino superior não pode limitar-se a declarações de princípio sempre que surgem casos desta natureza. Quando se torna necessário recordar o básico, isto é, que não pode haver espaço para discriminação, misoginia ou xenofobia no meio académico, talvez o problema já não seja apenas disciplinar ou criminal, mas também moral, cultural e institucional.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Priscilla du Preez.

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