A procura por alojamento estudantil em Portugal está a começar cada vez mais cedo, com muitos jovens e famílias a iniciar a busca por quartos meses antes de saberem se foram colocados no curso desejado. De acordo com a agência Lusa, esta antecipação deve-se à escassa oferta e aos preços elevados, que em Lisboa chegam, em média, aos 500 euros mensais, num contexto em que o Observatório do Alojamento Estudantil contabilizou pouco mais de 2.600 quartos disponíveis para cerca de 50 mil estudantes deslocados.
O fenómeno não se restringe à capital. No Porto, onde a renda média de um quarto ronda os 400 euros, havia apenas 799 quartos disponíveis no final da última semana. Pedro Neto Monteiro, presidente da Federação Académica de Lisboa, e Francisco Porto Fernandes, presidente da Federação Académica do Porto, confirmam que muitos estudantes iniciam a procura com sete a oito meses de antecedência, mas alertam para o risco de assumir compromissos antes de ter a colocação confirmada.
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A dificuldade agrava-se para as famílias das classes médias, que, ao contrário dos estudantes bolseiros, não têm acesso garantido a camas em residências públicas nem a complementos de alojamento, ficando muitas vezes financeiramente asfixiadas. As residências privadas, que poderiam funcionar como alternativa, apresentam preços ainda mais elevados, ultrapassando os 550 euros para quartos partilhados e podendo atingir mais de 1.600 euros por estúdios de 30 metros quadrados.
Para tentar reduzir o problema, o Governo prevê concluir até setembro obras em 19 residências universitárias, criando mais de duas mil camas, a maioria novas, e podendo acrescentar outras 2.270 através de protocolos de alojamento estudantil. No entanto, associações de estudantes alertam que, face ao défice acumulado de oferta e ao aumento constante da procura, estas medidas poderão não ser suficientes para resolver a crise habitacional que afeta o ensino superior.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Julia Menendez.
