Mais de 20% dos estudantes de cursos profissionais não terminam o curso

Mais de 20% dos estudantes de cursos profissionais não terminam o curso

Cerca de 22 mil jovens deixaram de estudar ao concluir o curso profissional em 2022, segundo dados da DGEEC. Apenas seis mil desses jovens prosseguiram para o ensino superior.

A DGEEC acompanhou o percurso dos jovens um ano após terminarem o ensino secundário e revelou que apenas 24% dos alunos de cursos profissionais continuaram a estudar. A publicação “Transição entre o ensino secundário e o ensino superior 2021/22 – 2022/23” mostra que 28 582 alunos terminaram o curso profissional do secundário no verão de 2022 e, um ano depois, só 6403 estavam inscritos numa instituição de ensino superior (IES).

Mais de 22 mil jovens não continuaram a estudar, segundo os dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), que indicam que existem vários cursos em que a maioria dos estudantes não prossegue os seus estudos. Entre as áreas em que mais de 90% dos alunos não foram encontrados a estudar no ensino superior estão Tecnologias de Diagnóstico e Terapêutica, Cuidados de Beleza, Hotelaria e Restauração, além de “Materiais”, que inclui Indústrias da Madeira, Cortiça, Papel, Plástico ou Vidro.

Adicionalmente, os únicos oito alunos que terminaram o curso de Artesanato, em 2022, e os cinco estudantes de Floricultura e Jardinagem também não estavam a estudar em 2023, representando 100% de desistência no ensino superior, conforme os dados da DGEEC.

Risco de falta de financiamento da FCT alarma investigadores e bolseiros

A Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC), numa nota enviada a 20 de maio, à nossa redação, mostra-se preocupada com as notícias da “insuficiência de verbas da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) para o pagamento de bolsas de investigação e salários” dos investigadores.

As estatísticas revelam uma situação oposta entre os alunos dos cursos científico-humanísticos: Quase 56 mil alunos terminaram o secundário em 2022 e mais de 42 mil (85%) estavam, no ano seguinte, a frequentar uma instituição de ensino superior. A maioria dos alunos desses cursos (91%) prosseguiu um curso que confere um grau superior (licenciatura), enquanto metade dos alunos de cursos profissionais seguiu cursos Técnico Superiores Profissionais (CTeSP).

Oito em cada dez alunos dos cursos de Ciência e Tecnologias (81%) e de Ciências Socioeconómicas (80%) estavam em cursos de licenciatura. Seguem-se os alunos de Artes Visuais (65%) e Línguas e Humanidades (59%).

Quanto às regiões, Guarda e Bragança destacam-se com apenas 17% dos jovens não prosseguindo para o ensino superior, em contraste com Setúbal (33%), Faro e Lisboa (29%). Em Alcácer do Sal, 55% dos alunos não continuaram a estudar. Beja, Moura e Mértola também apresentam altas percentagens de desistência (43% e 39%). Em Terras do Bouro, Braga, 53% dos alunos só fizeram o ensino secundário. Em Penamacor, Castelo Branco, 48% não foram encontrados em instituições de ensino superior, e em Vendas Novas, Évora, 41% dos 101 alunos não prosseguiram os estudos após o secundário.

Na Madeira, de acordo com o Observatório da Educação da Secretaria Regional da Educação, em 2021-2022, 3165 estudantes estavam inscritos em currículos alternativos do Ensino Secundário (1726 do sexo feminino). Destes, 712 estavam no 3.º ano de cursos profissionais e 309 em Cursos de Educação e Formação (tipos 5 e 6). A taxa de abandono escolar no ensino profissional na Região Autónoma da Madeira foi de 11,3% em 2021-2022.

Entre os cursos profissionais disponíveis na Madeira, de níveis 4 (ensino secundário) e 5 (pós-secundário, CTeSP), lecionados por escolas profissionais e secundárias da região, encontramos programador de informática, design comunicação gráfica, informática – instalação e gestão de redes, técnicos de turismo, de comunicação, marketing, relações públicas e publicidade, da ação educativa, de desporto, especialista em exercício físico, e especialista em contabilidade e fiscalidade.

A estes juntam-se outros CTeSP, lecionados pela Universidade da Madeira, que em 2023 registou uma taxa de abandono escolar próxima dos 10% em todos os seus ciclos de ensino.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia do estúdio “zero take”.