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Mais de 200 professores da UMa continuam com contratos semestrais

Mais de 200 professores da UMa continuam com contratos semestrais

A UMa voltou a recorrer a centenas de contratos temporários para assegurar o funcionamento das aulas, numa situação que sindicatos consideram ser uma das expressões mais evidentes da precarização no ensino superior.

Mais de duas centenas de docentes da Universidade da Madeira assinaram contratos no início do semestre para garantir o funcionamento das aulas em diferentes faculdades. Segundo o JM Madeira, em notícia publicada na edição impressa de 11 de maio, “mais de 200 docentes nestas condições” foram contratados para o segundo semestre letivo, num modelo que “se repete, em muitos casos, a cada seis meses”. A situação afeta várias unidades orgânicas da universidade, incluindo as faculdades de Ciências Sociais, de Artes e Humanidades, de Ciências Exatas e Engenharia e de Ciências da Vida.

O jornal refere que muitos destes docentes “são altamente qualificados, muitos deles com doutoramento”, mas continuam sujeitos a vínculos temporários e à necessidade de voltar a concorrer regularmente para lecionar. De acordo com o reitor da UMa, citado pelo JM, “não há desvalorização da carreira docente”, sendo defendido que estes contratos respondem à necessidade de assegurar “respostas flexíveis, especializadas e ajustadas” a determinadas áreas de formação.

Ainda assim, a situação continua a gerar críticas entre estruturas sindicais. O Sindicato Nacional do Ensino Superior considera que se trata de “uma das expressões mais evidentes da precarização académica em Portugal”. O JM Madeira escreve que os sindicatos alertam para o facto de muitos docentes convidados assegurarem “cargas letivas regulares e estruturantes”, apesar de permanecerem sem vínculos estáveis e sujeitos a sucessivos contratos de curta duração.

O reitor defende, contudo, que “a contribuição destes convidados nos cursos da UMa, particularmente com contratos a tempo parcial, está centrada em cursos e disciplinas de forte pendor profissionalizante e especializado”. Segundo o responsável da Instituição, muitos destes docentes possuem atividade profissional fora da academia e contribuem com experiência prática considerada importante para a formação dos estudantes.

O JM Madeira destaca também que a situação da precariedade docente não é exclusiva da Madeira, mas acompanha uma realidade nacional do ensino superior. Os sindicatos consideram que o recurso continuado a docentes convidados “compromete a consolidação das equipas pedagógicas” e dificulta a criação de vínculos duradouros nas instituições universitárias e politécnicas.

Apesar das divergências, existe consenso quanto à necessidade de garantir estabilidade e qualidade no ensino superior. O debate sobre os contratos temporários, a valorização das carreiras académicas e a sustentabilidade das instituições deverá continuar a marcar a discussão sobre o futuro do ensino superior português nos próximos anos.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Pedro Pessoa.

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