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Reitoria celebra menos colocados

Reitoria celebra menos colocados

Reitoria festeja a quebra de colocados por prometer salas com espaço, filas mais curtas no bar, lugares sentados na cantina e menos sauna nos anfiteatros.

A reitoria da Universidade da Madeira celebrou a queda do número de colocados pelo Concurso Nacional de Acesso como quem encontra finalmente lugar para estacionar à porta. Houve quem falasse em vitória da ergonomia académica e em equilíbrio entre cadeiras e estudantes, um feito raro no século da sobrelotação. A mensagem é simples e reconfortante, este ano todos cabem, até o casaco do inverno que nunca chega.

Nas salas e anfiteatros promete-se a revolução do cotovelo livre. Os estudantes poderão pousar cadernos sem invadir o território do vizinho e os docentes voltarão a ver o pavimento, fenómeno que muitos julgavam extinto desde a primeira década do milénio. Com metade da turma e o dobro do espaço, renasce o antigo ritual de escolher lugar sem o suspense de um sorteio.

No bar, prevê-se poesia logística. Menos filas, mais conversas audíveis e um cardápio que já não terá de competir com o relógio. Na cantina, fala-se de lugares sentados como se fossem uma política pública de bem-estar, prato do dia a acompanhar com sobremesa e sem malabarismos com tabuleiros equilibrados no antebraço.

Resta o eterno assunto do calor nos anfiteatros sem janelas e sem ar condicionado. Diz-se que a mudança não traz brisa, mas reduz a temperatura emocional, já que menos corpos produzem menos calor e mais tolerância. Se o verão insistir, a reitoria sugere o método científico, hidratar, abanar apontamentos e acreditar que a meteorologia académica, tal como as vagas, também tem ciclos.

O Amigo da Pastoral é um suplemento satírico da ET AL., sendo todo o seu conteúdo ficcional. Leia-o regularmente no nosso portal ou através da nossa aplicação móvel ACADÉMICA.

Com fotografia de Massimo Virgilio.

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