O Funchal tem, em média, o segundo alojamento estudantil mais caro do país

O Funchal tem, em média, o segundo alojamento estudantil mais caro do país

Em maio, com o ano letivo a terminar, o índice de preço do alojamento estudantil no Funchal subiu para os 25%. Em 12 meses, apenas Lisboa apresenta um valor de arrendamento a estudantes superior ao da nossa cidade. Das novas residências da UMa, só as placas a indicar o início das obras.
Teleférico na cidade do Funchal.

Pelo último relatório do Observatório do Alojamento Estudantil, publicado precisamente no Dia da Universidade da Madeira, a 6 de maio, o preço praticado nesse mês, no Funchal, variou entre 660 euros (só inferior ao de Lisboa, de 700 euros) e 250 euros (o valor mínimo mais alto praticado em todo o país).

A 25 de maio, reunido em Braga, o Conselho de Ministros aprovou, num pacote de medidas para a juventude, a iniciativa Alojamento Estudantil Já, divida em três eixos de ação: (1) reforço do alojamento com a “capacidade instalada das Pousadas de Juventude e INATEL”, (2) financiamento para as Instituições de Ensino Superior “protocolarem reforço de camas com entidades públicas, privadas e do setor social” e (3) a atribuição de “50% do valor do complemento de alojamento para estudantes deslocados” não-bolseiros.

Alojamento estudantil de emergência humanitária

Até 1 de setembro decorre a fase de candidatura ao alojamento na residência estudantil da Universidade da Madeira. O tema da habitação para estudantes durante o curso continua a ser um problema por resolver, sendo amplamente noticiado no período de matrículas do ensino superior. Em julho, o governo decidiu priorizar o alojamento de estudantes identificados como estando em “situação de emergência humanitária”, a par dos bolseiros deslocados.

O primeiro eixo só se aplica às instituições de Ensino Superior do território continental português. Na Madeira, as pousadas de juventude, algumas das quais alojam estudantes da UMa, estão sob a alçada do Governo Regional, pelo que o incentivo de Lisboa acabará por ir ao encontro do segundo eixo, em que a própria Universidade tem de encontrar uma solução junto de instituições locais.

Já o terceiro eixo fixa o valor do complemento “que varia consoante a localização da cama, de acordo com o Despacho n.º 10793/2023, de 24 de outubro. No concelho do Funchal (e só neste limite geográfico), o complemento pode ir até 70% do IAS em vigor, correspondendo a um máximo de 336,30 euros. Na prática, um estudante beneficiário dele e que pague o valor máximo de renda no Funchal, apontado pelo Observatório, terá sempre de cobrir os restantes 323,70 euros mensais.

É intensão da UMa reformar a residência da rua de Santa Maria Maior, para reabilitar 209 camas, e o edifício na rua da Carreira que acrescerá a oferta do Funchal em 25 novas camas. Desde de 15 de setembro de 2022, estes projetos já se encontram “financiados e contratualizados”, com 2,1 milhões de euros e 800 mil euros, respetivamente atribuídos, segundo a página do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior. A este junta-se o projeto de construção de uma nova residência na Quinta de São Roque.

Recorde-se que, em janeiro de 2024, abordámos a visita da antiga ministra do Ensino Superior à UMa para apresentação de um Contrato-Programa – documento sobre o qual a ET AL. questionou a Reitoria, através do Gabinete de Comunicação e Marketing, e de que mantém a certeza de vir a obter uma resposta o mais breve possível. Então, publicámos uma entrevista feita em novembro de 2023, ao administrador da UMa, Ricardo Gonçalves, sobre a situação das obras nas nossas residências.

Das 10 mil camas contratualizadas em Portugal, governo financiará 25 camas na UMa

Dos quase 10 milhões de euros que as candidaturas da Universidade da Madeira (UMa), para alojamento estudantil, pretendiam captar no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o executivo liderado por António Costa contratualizou cerca de 3 milhões de euros. Das 225 camas extraordinárias que a universidade pretendia, apenas 25 foram financiadas nesta fase.

O Administrador indicou que o Conselho de Gestão da UMa deveria “aprovar, até final do corrente mês, o Concurso Público para a empreitada que permitirá a adaptação do imóvel sito à Rua da Carreira a Residência de Estudantes. Por outro lado, na primeira quinzena do mês de outubro, será aprovado o Concurso relativo à empreitada de concepção-construção para a nova Residência de Estudantes no Campus da Quinta de São Roque”. Não temos conhecimento de grandes desenvolvimentos na rua da Carreira, mas a Quinta de São Roque já tem a placa a indicar a construção da nova residência universitária da UMa.

Com o ano letivo a terminar, o Funchal está, entre as cidades universitárias portuguesas, em penúltimo lugar na oferta de quartos disponíveis, com 20 vagas em todas as páginas verificadas pelo Observatório, no mês passado. Com o Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior à porta, o alojamento estudantil deve ser uma prioridade da UMa, até porque no último ano, o preço médio no Funchal rondou os 400 euros mensais que, segundo a mesma fonte, só foi superado pela região de Lisboa, ultrapassando, entre outras, Porto, Coimbra e Braga.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Erik Karits.