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A Fundação que fez história na saúde e na solidariedade inspira nova obra

A Fundação que fez história na saúde e na solidariedade inspira nova obra

A obra de Luís Timóteo Ferreira resgata a história e a memória da Fundação Princesa Dona Maria Amélia, o antigo hospício que marcou a assistência médica e social na Madeira e foi pioneiro no tratamento da tuberculose em Portugal.
FUNDAÇÃO PRINCESA DONA MARIA AMÉLIA. A OBRA E O SEU SERVIÇO SOCIAL, de Luís Timóteo Ferreira, editado pela IMPRENSA ACADÉMICA em novembro de 2026.

A IMPRENSA ACADÉMICA continua a sua missão de editar temas sobre a história, a cultura e a identidade madeirenses, agora com a publicação da autoria do historiador Luís Timóteo Ferreira sobre a Fundação Princesa Dona Maria Amélia. O autor teve a preocupação de escrever um texto histórico agradável e acessível ao grande público e que é acompanhado por muitas fotografias de personalidades, de documentos, do exterior e do interior do prédio da Fundação e que foi o Hospício da Princesa Dona Maria Amélia, o primeiro hospital para tuberculosos de Portugal e um dos primeiros sanatórios marítimos da Europa.

O livro surgiu fruto da aproximação do autor à Fundação e relacionada à sua investigação para a sua tese de doutoramento, defendida em novembro de 2023, na Universidade de Coimbra: Medicina, Cirurgia e Farmácia na Madeira. A Escola Médico-Cirúrgica do Funchal (1837-1910).

O autor explicou ao Diário: «Em setembro de 2019, comecei a investigar o arquivo da Fundação. Fiquei maravilhado! Veio a COVID-19 e o confinamento e, assim que pude, voltei de imediato à pequena sala do arquivo onde passei muitas horas e dias. Não foi possível incluir na tese um capítulo sobre o Hospício, mas há várias referências. Então, na continuidade dos contactos com a Fundação, foi-me proposto escrever um livro».

O Hospício da Princesa Dona Maria Amélia, instituído legalmente pela Carta de Lei de 19 de julho de 1853, assinada pela Rainha D. Maria II, foi uma obra de beneficência da Imperatriz D. Amélia, Duquesa de Bragança, viúva de D. Pedro IV, que foi o primeiro imperador do Brasil, com o título de D. Pedro I, em memória da sua filha, a Princesa D. Maria Amélia, que faleceu no Funchal a 4 de fevereiro daquele ano, vítima de tuberculose pulmonar.

Crónicas da Primeira República por um madeirense

José Varella foi uma das mais notáveis figuras portuguesas do início do século XX. Nascido na Ponta do Sol, foi médico, militar, político e jornalista, assinando várias crónicas satíricas da Primeira República publicadas em diferentes periódicos. Estas foram recolhidas e estudadas por uma sobrinha-neta e reunidas numa edição da IMPRENSA ACADÉMICA.

O Hospício da Princesa Dona Maria Amélia foi erguido pela Imperatriz D. Amélia apenas com base na sua fortuna pessoal e assim foi mantido até à sua morte em 26 de janeiro de 1873. Como refere o autor, «dificilmente se poderá encontrar outra tão grande atitude magnânima para com a cidade do Funchal ou para com a população da Madeira e do Porto Santo».

Após a morte da Imperatriz D. Amélia, o Hospício foi legado em testamento à sua irmã, a Rainha Josefina da Suécia e da Noruega. Poucos anos depois deste legado, em virtude do falecimento da Rainha Josefina (1807-1876), o seu filho, o Rei Óscar II (1829-1907) consolidou a independência financeira da instituição e o seu estatuto de fundação, em 1877, prontamente reconhecida pelo governo português.

Embora o autor tenha recusado incluir no título o termo história, o certo é que o livro aborda a história do Hospício da Princesa Dona Maria Amélia, desde a sua fundação provisória na rua do Castanheiro até ao seu estabelecimento definitivo no prédio construído de raiz. O autor mostra o processo que levou ao estabelecimento da Fundação, em 1877, após a morte da Imperatriz D. Amélia e da sua irmã, a Rainha Josefina da Suécia e da Noruega, que herdara o legado daquela obra social. A partir daí, aborda as transformações ocorridas na instituição e na luta contra a tuberculose na Região, que teve como protagonistas os célebres médicos Dr. João de Almada e Dr. Agostinho Cardoso, ambos responsáveis pelo orientação clínica do Hospício durante quase todo o século XX.

O autor explicou que não quis o termo história no título porque «esta obra foi escrita para o grande público, ou seja, a sua génese não é a da elaboração de um discurso historiográfico científico que é muito marcado atualmente pela construção de problemas de investigação. Porém, isto não quer dizer que este relato sobre o passado da Fundação Princesa Dona Maria Amélia não seja rigoroso e baseado na documentação, grande parte dela inédita». E daqui decorre o outro motivo para a ausência do termo: «embora existam alguns textos escritos sobre a Fundação, até mesmo dois capítulos de teses de doutoramento, a distância entre esses textos e o acervo documental inédito é enorme. Ainda que o arquivo com a documentação da Fundação seja relativamente modesto, por exemplo, quando em comparação com outros fundos arquivísticos existentes na Madeira, está praticamente todo por explorar. Não sei precisar percentualmente o volume de documentação que consultei, mas tenho a certeza que não chegou à metade da existente».

Se a obra poderá ser chamada de história ou não, os especialistas o dirão; o certo é que o grande público certamente irá lê-la com prazer, pois está escrita de forma simples, contém muitas curiosidades e detalhes e está amplamente ilustrada com fotografias. É ainda bastante elucidativa sobre as valências atuais existentes na Fundação (Externato, Infantário e Lar de Idosos) e aponta ao futuro com a possibilidade da constituição de um núcleo museológico e de ERPI (estrutura residencial para pessoas idosas com autonomia). O reconhecimento da Coroa Sueca à qualidade da obra revela-se pela presença de uma nota introdutória de Sua Majestade o Rei Carl XVI Gustaf.

A iniciativa do Conselho de Administração da Fundação em encomendar e fazer publicar este livro, com uma editora madeirense, decorre da relevância desta obra de beneficência e do seu serviço social na Região. Como escreveu o autor: «A função e a importância históricas da Fundação Princesa Dona Maria Amélia têm de ser consolidadas na identidade coletiva, madeirense, portuguesa e europeia, conjugando a memória, a história, o património, a museografia e a religião com a inovação e a tecnologia».

Luís Timóteo Ferreira é professor do ensino básico e secundário, desde 1991, e leciona na Região, desde 1997. É licenciado em História pela Universidade de Coimbra (1991) e aí concluiu a parte curricular do Mestrado em História Contemporânea de Portugal (1994). É mestre em Ciências da Educação, área de Inovação Pedagógica, pela Universidade da Madeira (2011) e aí concluiu a parte curricular do doutoramento em Ciências da Educação, área de Currículo (2014). É doutorado em Estudos Contemporâneos (2023) com tese apresentada ao Instituto de Investigação Interdisciplinar da Universidade de Coimbra sob o título Medicina, Cirurgia e Farmácia na Madeira: A Escola Médico-Cirúrgica do Funchal (1837-1910). É Investigador no grupo de investigação História e Sociologia da Ciência e da Técnica do Centro de Estudos Interdisciplinares (CEIS20) da Universidade de Coimbra. Atualmente desempenha funções de revisão editorial e científica na Imprensa Académica.

A Imprensa Académica e a Cadmus integram, a partir de 2025, o universo editorial da Associação para Promoção da Herança Madeirense. Criadas na década passada, ambas as editoras, de raiz universitária, possuem um catálogo de obras que ultrapassa os cem títulos.

Esta nova etapa da sua vida editorial traz novos desafios, como a criação do primeiro Conselho Editorial, a adesão à Associação Portuguesa de Editores e Livreiros e o reforço da sua presença no mercado escolar regional.

Este novo ciclo consolida o compromisso das duas editoras com a divulgação do conhecimento universitário e com a valorização das artes, da ciência, da cultura e da identidade madeirense, através da publicação de obras de ficção e não ficção. Assim, as editoras pretendem reforçar a sua aposta no setor livreiro regional e nacional, promovendo a circulação do conhecimento, a promoção da leitura e a valorização das edições madeirenses no panorama editorial português.

Carlos Diogo Pereira
Com Timóteo Ferreira
ET AL.
Com fotografia da capa idealizada por Pedro Pessoa.

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