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Universidades britânicas entre a dependência externa e a redefinição de estratégia

Universidades britânicas entre a dependência externa e a redefinição de estratégia

A crescente dependência das universidades britânicas de estudantes internacionais, em particular da China, está a levar o Reino Unido a repensar o seu modelo de internacionalização do ensino superior.

Hoje tem início a digressão dos FATUM pelo Reino Unido e a ET AL., como tido sido habitual, apresenta um conjunto de artigos sobre a realidade britânica do Ensino Superior, da ciência e da tecnologia.

As universidades britânicas tornaram-se cada vez mais dependentes das propinas pagas por estudantes internacionais. Em média com valores superiores a 30 mil libras, os alunos oriundos da China destacam-se numa uma tendência amplamente descrita num artigo do PÚBLICO. O jornal destaca que, em muitas instituições, estas receitas deixaram de ser complementares e passaram a ser estruturais para o funcionamento corrente, cobrindo desde despesas operacionais até investimento em investigação.

Segundo o PÚBLICO, esta dependência intensificou-se na última década, à medida que o financiamento público não acompanhou o crescimento dos custos do ensino superior. O resultado foi uma crescente concentração num número limitado de mercados internacionais, com a China a assumir um papel central, tanto em número de estudantes como no peso financeiro das propinas cobradas.

Este cenário é analisado também pela imprensa britânica. De acordo com um artigo do The Guardian, os estudantes chineses constituem hoje o maior grupo de estudantes estrangeiros no Reino Unido, sendo vistos por muitas universidades como essenciais para a sua sustentabilidade financeira. O jornal sublinha que qualquer alteração abrupta nos fluxos vindos da China pode ter impactos severos nas contas das instituições.

Perante estes riscos, o Governo britânico decidiu abandonar metas políticas para limitar o número de estudantes internacionais e avançar com uma nova abordagem. Como refere o The Guardian, o executivo optou por uma estratégia centrada no desenvolvimento de polos universitários no estrangeiro e na expansão do ensino transnacional, procurando garantir receitas sem aumentar a pressão interna sobre o sistema.

Universidade de Exeter abre mestrado em Magia

O Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos da Universidade de Exeter aguarda, para setembro, a sua primeira turma no mestrado em Magia e Ciências Ocultas. Um ano letivo dedicado ao esoterismo, feitiçaria, magia e outras artes ocultas.

O PÚBLICO observa que esta mudança levanta questões relevantes sobre o modelo de internacionalização adotado. A criação de campus e parcerias no exterior pode reduzir riscos financeiros imediatos, mas suscita dúvidas quanto à qualidade académica, à supervisão pedagógica e à coerência da missão universitária fora do território nacional.

Entre a necessidade de financiamento e a ambição global, o caso britânico ilustra um dilema cada vez mais comum no ensino superior europeu. Tal como assinala o The Guardian, a nova estratégia surge menos como uma escolha estruturalmente planeada e mais como uma resposta pragmática a um sistema que se tornou altamente dependente de estudantes internacionais para assegurar a sua própria sobrevivência.

Em 2024, o PEÇO A PALAVRA colocou como tema os estudantes internacionais.

Luís Eduardo Nicolau
com Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de George Baker.

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