Hoje tem início a digressão dos FATUM pelo Reino Unido e a ET AL., como tido sido habitual, apresenta um conjunto de artigos sobre a realidade britânica do Ensino Superior, da ciência e da tecnologia.
As universidades britânicas tornaram-se cada vez mais dependentes das propinas pagas por estudantes internacionais. Em média com valores superiores a 30 mil libras, os alunos oriundos da China destacam-se numa uma tendência amplamente descrita num artigo do PÚBLICO. O jornal destaca que, em muitas instituições, estas receitas deixaram de ser complementares e passaram a ser estruturais para o funcionamento corrente, cobrindo desde despesas operacionais até investimento em investigação.
Segundo o PÚBLICO, esta dependência intensificou-se na última década, à medida que o financiamento público não acompanhou o crescimento dos custos do ensino superior. O resultado foi uma crescente concentração num número limitado de mercados internacionais, com a China a assumir um papel central, tanto em número de estudantes como no peso financeiro das propinas cobradas.
Universidades dos Países Baixos querem limitar número de estudantes estrangeiros
Conforme anunciado pelo canal Euronews em fevereiro, 14 universidades dos Países Baixos pretendem favorecer a entrada de estudantes nacionais limitando o número de estudantes estrangeiros naquele país.
UMa reforça internacionalização durante missão à China
A participação da UMa na missão promovida pela Invest Madeira permitiu reforçar contactos académicos e científicos num dos mercados mais dinâmicos
Este cenário é analisado também pela imprensa britânica. De acordo com um artigo do The Guardian, os estudantes chineses constituem hoje o maior grupo de estudantes estrangeiros no Reino Unido, sendo vistos por muitas universidades como essenciais para a sua sustentabilidade financeira. O jornal sublinha que qualquer alteração abrupta nos fluxos vindos da China pode ter impactos severos nas contas das instituições.
Perante estes riscos, o Governo britânico decidiu abandonar metas políticas para limitar o número de estudantes internacionais e avançar com uma nova abordagem. Como refere o The Guardian, o executivo optou por uma estratégia centrada no desenvolvimento de polos universitários no estrangeiro e na expansão do ensino transnacional, procurando garantir receitas sem aumentar a pressão interna sobre o sistema.
Há milhares de bolsas de estudo no Reino Unido para estudantes portugueses
O British Council anunciou a disponibilidade de mais de 1.600 bolsas de estudo para estudantes portugueses que desejem prosseguir os seus estudos no Reino Unido.
Reino Unido está a perder estudantes internacionais
As universidades britânicas estão a acusar um queda acentuada no número de estudantes internacionais, devido a restrições de vistos. Em risco,
O PÚBLICO observa que esta mudança levanta questões relevantes sobre o modelo de internacionalização adotado. A criação de campus e parcerias no exterior pode reduzir riscos financeiros imediatos, mas suscita dúvidas quanto à qualidade académica, à supervisão pedagógica e à coerência da missão universitária fora do território nacional.
Entre a necessidade de financiamento e a ambição global, o caso britânico ilustra um dilema cada vez mais comum no ensino superior europeu. Tal como assinala o The Guardian, a nova estratégia surge menos como uma escolha estruturalmente planeada e mais como uma resposta pragmática a um sistema que se tornou altamente dependente de estudantes internacionais para assegurar a sua própria sobrevivência.
Em 2024, o PEÇO A PALAVRA colocou como tema os estudantes internacionais.
Luís Eduardo Nicolau
com Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de George Baker.
