A ACADÉMICA DA MADEIRA esteve recentemente no Reino Unido para um conjunto de eventos, de reuniões e de visitas de trabalho. No campus da região de Docklands, os dirigentes madeirenses estiveram em reunião com a East London Students’ Union (ELSU) numa ação que incluiu a partilha de boas práticas e o fortalecimento das relações entre as duas associações estudantis. Durante a visita, os representantes da ACADÉMICA DA MADEIRA tiveram a oportunidade de conhecer a realidade do ensino superior britânico e debater desafios comuns enfrentados pelos estudantes em ambas as instituições.
A ELSU é responsável pela representação dos estudantes da University of East London (UEL), trabalhando para garantir os seus direitos e melhorar a experiência académica e social. A sua atuação passa por apoiar estudantes em diversas áreas, desde questões académicas a bem-estar, o alojamento e a empregabilidade. “As principais áreas de atuação da associação são a representação estudantil, o aconselhamento académico e a organização de atividades e eventos”, explicaram os representantes da ELSU, destacando ainda o apoio académico gratuito e imparcial prestado aos estudantes em processos como os recursos académicos, os casos de má conduta e as queixas contra a universidade.
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A realidade do alojamento foi outro dos temas abordados na reunião, uma vez que o elevado custo de vida é um desafio comum a estudantes no Reino Unido e em Portugal. Sobre este ponto, a ELSU explicou que a UEL oferece residências universitárias no campus de Docklands, onde existe uma garantia de alojamento para estudantes elegíveis. No entanto, “muitos estudantes optam por viver fora do campus devido aos custos, sendo comum procurarem alojamento mais afastado do centro de Londres, onde as rendas são mais acessíveis”.
Outro tema central foi a crescente dependência das universidades nas propinas pagas por estudantes internacionais. No Reino Unido, este grupo representa uma parte significativa das receitas universitárias, levando as instituições a investir fortemente no recrutamento internacional e no suporte contínuo aos estudantes estrangeiros. “As universidades britânicas atribuem grande importância aos estudantes internacionais para o seu funcionamento e desenvolvimento”, afirmaram os representantes da ELSU.
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Durante a reunião, os membros da ELSU tiveram ainda a oportunidade de conhecer melhor a realidade do ensino superior em Portugal e destacaram o forte apoio financeiro oferecido aos estudantes. “O que mais se destacou foi o retorno das propinas para estudantes que trabalhem em Portugal depois de se graduarem e os descontos nas rendas, o que facilita significativamente a vida académica”, referiram. Além disso, assinalaram a diferença estrutural entre as associações estudantis dos dois países, sublinhando que, ao contrário do Reino Unido, em Portugal os representantes estudantis desempenham as suas funções de forma voluntária e sem remuneração, enquanto os dirigentes estudantis ingleses encontram outra realidade. Na ELSU, os dirigentes são remunerados, sendo um trabalho a tempo inteiro, geralmente com 35 horas semanais, e durante um ano sabático, quando os estudantes interrompem o seu percurso académico para dedicação inteira ao associativismo.
A reunião entre a ACADÉMICA DA MADEIRA e a ELSU reforçou a importância da partilha de experiências e boas práticas entre associações estudantis de diferentes países. Apesar das diferenças nos sistemas de ensino, os desafios enfrentados pelos estudantes, como o custo de vida, o alojamento e a necessidade de representação estudantil, são comuns, tornando estas iniciativas fundamentais para o desenvolvimento de soluções conjuntas e para o fortalecimento da voz dos estudantes a nível internacional.
Ricardo Freitas Bonifácio
ET AL.
Com fotografia de Dorian Bogdańska.