Em entrevista ao EXPRESSO, o antigo Secretário de Estado do Ensino Superior, Pedro Teixeira, defendeu as alterações introduzidas nas regras de acesso ao Ensino Superior e considerou que a quebra de candidatos deve ser analisada no contexto da reintrodução dos exames nacionais. “Ainda que nos faltem muitos elementos, não faço uma avaliação negativa do concurso nacional de acesso deste ano”, afirmou, explicando que “o sistema regressou a um padrão pré-pandemia e que isso explica muito da evolução deste ano”.
Pedro Teixeira destacou que o regresso dos exames obrigatórios para concluir o secundário foi decisivo. “Há três razões que podem ser apontadas para esta evolução: a reposição dos exames de conclusão do secundário que, pelos números antes apontados, parecem ser o fator decisivo; a revisão das regras de acesso ao ensino superior e, finalmente, tendências várias desfavoráveis à procura de formação superior”, sublinhou. Entre essas tendências apontou “tendências demográficas negativas, custos de alojamento, mercado de trabalho forte (…) ou ainda alguma perda de atratividade da formação superior”.
“Neste momento não vai haver redução do contingente”
A possibilidade de redução do atual valor reservado para os candidatos oriundos da Madeira e dos Açores foi afastada pela ministra Elvira Fortunato, em visita ao teleporto de Santa Maria, no arquipélago açoriano. Após vários protestos das regiões autónomas, a governante coloca de lado a opção.
Candidatos na 1.ª fase do acesso ficam abaixo dos 50 mil
Os dados da Direção-Geral do Ensino Superior, houve 49.595 candidatos na 1.ª fase do concurso nacional de acesso de 2025, menos
O antigo governante rejeitou a ideia de que as alterações de 2023 tenham tido impacto determinante na quebra de candidatos. “Creio que terá sido o fator menos relevante, contrariamente ao que tem sido dito por alguns”, disse, lembrando que o aumento do peso mínimo dos exames de ingresso para 45% pretendeu apenas “aumentar a comparabilidade e justiça relativa entre candidatos”. Acrescentou ainda que a exigência de dois exames mínimos de 9,5 valores procurou “valorizar o desempenho dos estudantes em mais do que uma disciplina e repartir o peso dos exames por mais do que uma prova”.
Questionado sobre os efeitos nos politécnicos, Pedro Teixeira considerou que o debate tem estado excessivamente centrado nos números de entradas. “Preocupa-me que a discussão se centre tanto na maximização do número de candidatos e colocados. Não adianta ter muitos candidatos, se depois tivermos taxas de abandono elevadas”, alertou. Na sua perspetiva, o sistema deve dar mais atenção ao percurso académico, porque “o objetivo deve ser o sucesso académico dos estudantes e a sua qualificação”.
Ensino Superior na Madeira: um caminho ainda por construir
Tiago Caldeira Alves escreve na edição de hoje do DIÁRIO sobre o papel da Universidade da Madeira “na formação de cidadãos” e os seus desafios, como “o problema do subfinanciamento”.
Alunos do secundário obrigados a fazer exames mesmo a disciplinas já concluídas
Segundo o Expresso, os alunos com disciplinas já finalizadas, mas sem exame nacional realizado, terão de se submeter a provas para
O antigo secretário de Estado recordou ainda que, sempre que foram introduzidas novas exigências no passado, houve receios semelhantes, mas o sistema mostrou resiliência. “Tal como agora, em todos os momentos anteriores de mudança houve vozes que temeram pelos efeitos negativos na procura. Em todos esses momentos, após um primeiro ajustamento, o sistema mostrou ser capaz de continuar a crescer”, afirmou.
Para Pedro Teixeira, a polémica em torno da exigência de duas classificações mínimas de 9,5 valores deve ser relativizada. “Dá que pensar quando se afirma que pedir duas classificações mínimas de 9,5 em exames é demasiado exigente para entrar no ensino superior”, concluiu na entrevista ao EXPRESSO.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Philippe Bout.