A emissão do PEÇO A PALAVRA desta quarta-feira, às 16:00, na antena da TSF Madeira, abre espaço a uma conversa sobre inovação, ciência e futuro, com foco na nova licenciatura em Engenharia Biomédica da Universidade da Madeira (UMa). Lançado no ano letivo de 2025-2026, este novo ciclo de estudos surge alinhado com o crescimento da área da saúde na Região, em especial com o futuro Hospital Central Universitário da Madeira.
Neste episódio, o painel conta com a participação dos professores Morgado Dias e Sergi Bermúdez, principais responsáveis pela criação do curso, que conversam com os doutorandos Diogo Freitas e Gonçalo Nuno Martins, da ACADÉMICA DA MADEIRA. Ao longo da conversa, discutem-se os estigmas ainda associados à Engenharia Biomédica, o perfil dos estudantes, os desafios do arranque, a articulação com a investigação e com o setor da saúde, bem como as expectativas de impacto na região.
Com uma taxa de ocupação de 77% logo no primeiro ano e mais de duas dezenas de candidatos internacionais, o curso afirma-se como uma aposta sólida e com elevada procura. O plano de estudos é multidisciplinar, com forte componente prática, envolvendo parcerias com o Serviço Regional de Saúde, clínicas privadas, centros de investigação e universidades estrangeiras. Os professores sublinham que esta licenciatura pretende não apenas formar técnicos para os equipamentos hospitalares, mas também criar condições para o desenvolvimento de soluções inovadoras e até empresas na área médico-tecnológica, com impacto direto na Madeira.
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Durante o programa, destacou-se o papel que a Engenharia Biomédica poderá ter na resposta aos desafios do envelhecimento da população madeirense, nomeadamente através do desenvolvimento de soluções de monitorização remota e apoio à autonomia. Foram também apresentados projetos já em curso na UMa, como o uso de realidade virtual na reabilitação motora, a criação de sensores biomédicos aplicados ao sono, ou o desenvolvimento de uma microcâmara de endoscopia produzida inteiramente na Região.
Os convidados abordaram ainda o caminho percorrido até à acreditação do curso pela A3ES, sublinhando que, apesar da acreditação provisória por três anos, há um trabalho científico e pedagógico consolidado que sustenta esta nova oferta formativa. O curso nasce da experiência acumulada de docentes que, embora com formações de base distintas, têm mais de uma década de investigação em áreas associadas à engenharia biomédica. A Universidade, explicam, não começa do zero, mas sim a partir de uma base sólida e preparada para evoluir.
O futuro mestrado em Engenharia Biomédica foi outro dos temas em destaque. Embora ainda não exista formalmente, os docentes confirmam que está já nos planos da instituição e poderá ser estruturado nos próximos dois anos, de forma a dar continuidade à formação iniciada. A internacionalização do curso, o uso do inglês como língua de ensino e os protocolos com outras universidades europeias foram apontados como passos estratégicos para garantir maior atratividade e integração num ecossistema global de ciência e tecnologia.
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Também a questão da empregabilidade foi amplamente debatida. A engenharia biomédica, sendo uma área em forte crescimento, exige profissionais altamente qualificados e preparados para trabalhar num mercado global, onde a inovação tecnológica e a investigação caminham lado a lado. O curso aposta numa formação versátil, capaz de abrir portas em diversas áreas, desde a indústria médica até à investigação aplicada. Os docentes sublinham que os primeiros diplomados poderão não só integrar empresas já existentes, como até fundar novas iniciativas na Região.
A conversa passou com conselhos dirigidos aos primeiros estudantes do curso, vistos não como cobaias, mas como pioneiros. A mensagem é clara: mais do que procurar um percurso fechado, os estudantes devem estar preparados para construir o seu próprio caminho numa área que evolui rapidamente e que, mais do que soluções prontas, exige criatividade, rigor e vontade de descobrir. A engenharia biomédica é, para muitos, um campo ainda em definição e é precisamente isso que a torna tão desafiante e promissora.
O PEÇO A PALAVRA é um espaço em que o Ensino Superior, a Ciência e a Tecnologia estão em debate, porque os estudantes pediram a palavra. O seu nome tem origem na intervenção que tornou célebre o jovem líder estudantil em Coimbra, Alberto Martins, e que espoletou a Crise Académica de 1969. Trata-se de uma produção da TSF Madeira 100 FM com a ACADÉMICA DA MADEIRA, transmitida quinzenalmente às quartas-feiras, às 16:00, e disponível em podcast nas principais plataformas. Na antena da rádio, o programa é repetido na quarta-feira seguinte.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Dorian Bogdańska.