Três cientistas portuguesas e uma investigadora neerlandesa a trabalhar em Portugal integram o ranking das mil melhores cientistas do mundo em 2024, elaborado pela plataforma Research.com. Este ranking, que analisa indicadores como o “índice H”, produtividade, impacto das publicações e prémios, visa também combater desigualdades no reconhecimento científico. De acordo com a Research.com, “os estudos científicos continuam a ser um percurso profissional maioritariamente masculino” e o objetivo é “inspirar as mulheres académicas” e promover igualdade na ciência.
Entre as investigadoras, o Público dá destaque a Graça Raposo, que ocupa o 357.º lugar e é atualmente diretora de investigação no Instituto Curie, em França. Reconhecida pelo trabalho pioneiro com vesículas extracelulares, explicou que estas “podiam ser consideradas como vacinas contra o cancro: injectadas em ratinhos, essas vesículas mostraram poder diminuir o crescimento tumoral e erradicar os tumores”. Ao longo da carreira, dedicou-se também a doenças neurodegenerativas e ao VIH.
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No 433.º lugar, Marian Bakermans-Kranenburg, professora no Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida (Ispa), em Lisboa, destacou a importância da vinculação na infância. Ao Público, explicou que “uma das coisas mais importantes no primeiro ano de vida é o facto de as crianças estabelecerem relações de vinculação com os seus cuidadores”. Marian também sublinhou que, “durante demasiado tempo, a investigação sobre a parentalidade centrou-se nas mães”, propondo uma abordagem mais inclusiva.
Outra cientista mencionada pelo Público é Inês Barroso, professora na Universidade de Exeter, no Reino Unido, e 570.ª no ranking. A investigadora foca-se em alterações genéticas associadas à diabetes e ao diagnóstico personalizado, defendendo que “talvez não seja apropriado usar os mesmos critérios para todas as pessoas”. Inês enfatizou ainda a importância de colaborações internacionais para avanços científicos.
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Isabel Ferreira, professora no Instituto Politécnico de Bragança e especialista em bioquímica alimentar, ocupa o 704.º lugar. Em declarações ao Público, explicou que o seu trabalho utiliza plantas e cogumelos como “fonte de conservantes naturais para incorporar em alimentos, de forma a prolongar o seu prazo de validade”. A cientista destacou a importância de alinhar a ciência com as tendências de sustentabilidade ambiental e saúde dos consumidores.
Estas quatro cientistas exemplificam os progressos e desafios na integração das mulheres na ciência. Como conclui Isabel Ferreira ao Público, “a diferença entre géneros também se tem esbatido em Portugal”, um exemplo global no estímulo à qualificação de jovens mulheres. O reconhecimento no ranking Research.com reforça o impacto das suas contribuições e inspira futuras gerações.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de National Cancer Institute.