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Cientistas entre o silêncio e a pressão política

Cientistas entre o silêncio e a pressão política

Um alerta para os riscos que o ataque político ao pensamento crítico representa para a ciência e para a democracia em Portugal.

No artigo de opinião publicado no PÚBLICO, João Rocha parte da ideia de que “se não estás à mesa, estás no menu” para sublinhar a fragilidade da comunidade científica perante cenários políticos que hostilizam o conhecimento. O autor defende que os cientistas portugueses “não podem ficar calados perante a possibilidade de o partido de André Ventura chegar ao Governo”, alertando para um ambiente em que a ciência deixa de ser tratada como bem público e passa a ser vista como um incómodo sempre que “a evidência contraria a narrativa do poder”.

O texto estabelece um paralelismo direto com o chamado “manual Trump”, descrevendo um padrão conhecido de pressão sobre universidades, descredibilização de agências técnicas e criação de um clima de intimidação. Segundo o autor, num sistema científico “frágil e altamente dependente de financiamento público”, bastariam sinais deste tipo para provocar “autocensura por medo de represálias, fuga de talento” e uma degradação das decisões públicas, substituindo o rigor dos dados pelo “achismo ideológico”.

João Rocha sublinha ainda que a normalização do discurso que rotula investigadores, professores ou jornalistas como “inimigos do povo” abre caminho a uma erosão institucional lenta mas profunda, feita de “cortes seletivos, condicionamento de financiamentos, nomeações partidarizadas” e perseguição simbólica. Esta lógica, escreve, não precisa de medidas explícitas para produzir efeitos, porque opera através do medo e da adaptação silenciosa.

Recorrendo à reflexão de Václav Havel evocada por Mark Carney, o autor conclui que o maior perigo reside no conformismo quotidiano, no “viver na mentira” para evitar problemas. Aplicado à ciência em Portugal, esse silêncio transforma os investigadores em alvo fácil de narrativas que domesticam instituições, razão pela qual “os cientistas portugueses não podem, nem devem, ficar calados”.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Drew Hays.

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