No verão, a ET AL. publicou os dados relativos à transição entre o ensino secundário e o ensino superior nos anos letivos 2021-2022 e 2022-2023, mostrando que apenas 24% dos estudantes de cursos profissionais continuaram a estudar após terminarem o ensino secundário.
O novo relatório indica uma redução do valor apurado anteriormente, com apenas 22% dos estudantes, que concluíram um curso profissional no ano letivo de 2022-2023, a prosseguir para o ensino superior, segundo dados divulgados pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC). Isto representa um universo reduzido de 5939 alunos, num total de 26.906 formados nesta via de ensino. Em contraste, entre os estudantes dos cursos científico-humanísticos, 76% continuaram os estudos. Esta discrepância evidencia as dificuldades de transição para o ensino superior enfrentadas por alunos do ensino profissional, que “ainda sofre de alguns preconceitos e debilidades”, segundo o relatório Estado da Nação: Educação, Emprego e Competências em Portugal, da Fundação José Neves. Note-se que, segundo o Público, há uma década, no ano lectivo de 2013-2014, o número de transição entre o ensino superior e o profissional era ainda menor, situando-se em 16%.
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O relatório “Transição entre o ensino secundário e o ensino superior 2022-23-2023-24” destaca que alguns cursos profissionais apresentam taxas especialmente baixas de prosseguimento de estudos. Na área de Hotelaria e Restauração, 96% dos estudantes não ingressaram no ensino superior, enquanto em cursos como Comércio, Saúde e Turismo, mais de 80% dos alunos também optaram por não continuar. Esta realidade reflete não só os desafios do ensino profissional, mas também a sua associação a um contexto socioeconómico mais baixo, como aponta um estudo da plataforma Edulog.
Apesar das adversidades, o ensino profissional tem mostrado contributos importantes. Segundo o antigo ministro da Educação, David Justino, esta modalidade ajudou a “reduzir os níveis de abandono escolar” e contribuiu para “a qualificação dos recursos humanos”, fundamentais para setores chave da economia. No entanto, o relatório enfatiza a necessidade urgente de valorizar socialmente este ensino e melhorar o desempenho dos seus estudantes, como forma de potenciar o seu papel na transição digital do país.
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Regionalmente, a transição para o ensino superior varia significativamente, não existindo, no relatório da DGEEC, dados sobre a Madeira e os Açores. Bragança destaca-se com 41% dos estudantes de cursos profissionais a ingressarem em instituições de ensino superior, enquanto em Évora e Lisboa mais de 80% optaram por não prosseguir estudos. Estes números revelam não apenas desigualdades regionais, mas também a importância de reforçar políticas que incentivem a continuidade educativa em todo o território nacional.
Luís Eduardo Nicolau
Com Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de
