A festa do livro é a festa do AMOR de Leda Pestana e Alberto do Vale

Terça-feira, 22 de novembro, às 19:00, o Museu de Imprensa da Madeira recebe o lançamento da obra AMOR de Leda Pestana e Alberto do Vale. Trata-se da paixão na escrita, no trabalho e em tudo. Sob esse espírito, AMOR chega a todos os leitores, numa "mensagem de celebração à vida e ao amor", como defende Leda Pestana.

Este ano, um estudo do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa revelou que, “nos últimos 12 meses anteriores à recolha de respostas, 61% dos portugueses não leram um único livro em papel, e, dos 39% que afirmavam ter lido, a maioria leu pouco”.

AMOR, de Leda Pestana e Alberto do Vale, chega aos leitores para contrariar essa tendência. Dizer que é uma narrativa de amor pode ser redutor face ao universo de emoções que o livro pretende despertar, promover e recordar. Na palavras de Leda Pestana, “é um livro, uma história sem idade”, o culminar de 15 meses de trabalho.

“materializar a realidade através da narrativa e da ilustração”

A editora refere que a autora tem “percorrido o país através do dom que possui para a narração oral em diversos contextos e eventos”, abraçando a sua profissão para “partilhar livros, emoções e o poder das palavras”. AMOR é uma obra infantojuvenil que não pretende ficar restrita ao público mais jovem. Nessa “mensagem de celebração à vida e ao amor”, todos podem celebrar AMOR, em todas as idades. Como referiu Leda Pestana, “muita vezes nós adultos olhamos com estigma para literatura infantil”. Este género, escrito por adultos, conta histórias e transforma essas narrativas para o público mais jovem.

A autora refere que pretende “tornar algo mágico e bonito”, sendo esse o sentido da obra. AMOR é terno, emociona e agarra a cada frase e ilustração. A emoção que está subjacente ao tema do livro. A editora refere que a publicação “é uma singela e tocante história de amor filial e de superação de uma perda que a todos pode acontecer”. “Não falar da perda” não é proteger, é preciso estar preparado para vida.

“falar de assuntos em que os jovens possam ter uma solução”

Leda Pestana refere que tentou “que a história pudesse chegar aos miúdos e aos graúdos”, com o objetivo de atingir todo o público pois, “para alguém partilhar, tem que ser cativado”. E não faltam elementos para que os leitores, de todas as idades, possam ser surpreendidos pelo trabalho dos autores. Nada foi deixado ao acaso. E são esses elementos, conjugados com a escrita e a ilustração, que fazem de AMOR uma obra que irá contribuir para que mais leitores possam ser encantados com a magia da leitura: “cativar pelo detalhe, pela cor, há muitos detalhes ocultos para o leitor tentar desvendar”, adianta a autora do texto.

Para que o leitor possa ser encantado, Leda Pestana, que dinamiza vários projetos na área da promoção e mediação de leitura, refere que “é muito importante ter uma sensibilidade na forma e no conteúdo e, acima de tudo, no objetivo que temos para passar com o livro e a leitura”.

“ter livros que passem a informação importante de forma mais simples”

A leitura não estará mais presente nas vidas dos jovens por falta de acesso? A autora refere que o formato, a ilustração e os conteúdos são fundamentais para cativar os jovens sendo necessário “elevar a qualidade da mediação literária”.

Na vida escolar, há um momento que a literatura deixa de ser prazer no percurso académico e passa a ser apenas obrigação com as leituras obrigatórias? Leda Pestana responde que, “no início do 3.º ciclo, existe uma descoberta do mundo, a descoberta das emoções, tudo o que irão construir o jovem adulto”. Por isso, a literatura a ser utilizada como recurso, deve ressoar na vida dos leitores, deve ser “resolução, esclarecimento, crescimento”. Os professores e técnicos ligados à leitura devem “cumprir o programa e fazer uma sugestão”, conjugar a obrigatoriedade com as outras componentes que não estão inseridas.

“Foi uma simbiose muito grande entre o texto e a ilustração”.

Dessa forma, também a literatura madeirense pode desempenhar um papel na vida dos jovens, com “a possibilidade de existir um contacto direto com o autor, criando sempre alguma emoção”, como afirma a autora. A produção da região, permite “trazer para junto dos jovens o autor”, proporcionar que ele desvende “alguns mistérios que só o autor da obra conhece” do seu processo de criação. Dessa forma, “cada um de nós, enquanto autores vamos escrever sobre algo que nos diz muito”.

“o amor é o mais importante na nossa vida”

AMOR é uma narrativa escrita para que o leitor se possa rever, pois o que é tratado no livro “é um assunto muito premente na nossa vida”. Para a autora, “nos momentos de dor, cabe a nós dar a volta transformando essa perda em amor incondicional”. É com esse espírito que os autores prepararam um trabalho que estabelece um carácter de cumplicidade com os leitores que passaram pela perda de um ente querido. Trata do tema sem esconder emoções, sem camuflar sentimentos e, dessa forma, liga-se a “quem já passou por essa situação”. Leda Pestana refere que “é errado não falar destes temas. Essas crianças têm que ter acesso a esses conteúdos, falar disso com leveza, com encantamento, com magia”. É necessário “perceber o que a outra pessoa precisa, dar alento àqueles que também perceberam alguém”.

“quando um jovem vê aquilo por que passou materializado nas folhas de um livro, isso tem uma dimensão gigantesca, isso é muito impactante na vida deles”.

As expectativas sobre o lançamento da obra são grandes. A cumplicidade entre os autores foi constante durante todo o processo. “Não houve nenhuma ilustração que avançasse” sem estarmos juntos, em sintonia. Além disso, o retorno “tem sido indescritível”, “sabia que existia muita expectativa”.

A curiosidade dos leitores tem aumentado a cada semana, à medida que as notícias sobre o lançamento do trabalho de Leda Pestana e Alberto do Vale se têm espalhado. São “muitas pessoas que acompanham o trabalho” e foram muitos os “parceiros que se quiseram associar de alguma forma ao evento” para tornar o lançamento “na festa do livro”. A data não foi escolhida sem razão, trata-se do aniversário do pai de Leda Pestana, outro motivo que reforça a “avalanche de emoções, um carrossel muito grande”.

AMOR tem um recurso digital que permite ao leitor, através do trabalho de Afonso Martins, compositor, e de Pedro Martins, responsável pela mistura. A banda sonora criada para essa história é um recurso que vem dar a possibilidade de atrair ainda mais leitores.

“não é publicar um livro, mas fazer uma partilha de amor”

Sem filtros, honesta como é habitual, Leda Pestana apresenta “uma porta para que os outros pudessem conhecer mais de mim”. Essa sinceridade, combinada com o percurso dos autores não é apenas a garantia do sucesso de AMOR, mas a resposta que os leitores, de todas as idades, precisam para que leitura continue a desempenhar um papel central nas suas vidas. O melhor será saber que AMOR é apenas a primeira publicação que Leda Pestana pretende realizar.

Luís Eduardo Nicolau
ET AL.
Com fotografia de Pedro Pessoa.
Na imagem, Leda Pestana com AMOR.

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