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Madeira soma três intervenções no novo mapa das residências universitárias

Madeira soma três intervenções no novo mapa das residências universitárias

O PNAES está a transformar o alojamento estudantil em várias cidades, com novas residências e a recuperação de edifícios antigos.
Imagens aéreas da construção da nova residência no Campus Universitário de S. Roque (Setembro de 2026). Imagem de Salvador Freitas/AM.

A Universidade da Madeira tem três intervenções integradas no Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior. A residência de Nossa Senhora das Vitórias, com 209 camas reabilitadas e um contrato de 2,34 milhões de euros, tem a obra concluída. Na Rua da Carreira, encontrava-se em curso uma empreitada de 1,17 milhões para criar 26 camas, enquanto a nova residência da Quinta de São Roque acrescentará outras 180, num investimento de 7,69 milhões. No conjunto, os três projetos representam 415 camas intervencionadas ou criadas e um valor contratual próximo dos 11,2 milhões de euros.

Na Madeira, a concretização do PNAES ficou marcada por sucessivos atrasos, concursos sem solução imediata e pela necessidade de rever os montantes inicialmente previstos. Em outubro de 2022, a ET AL. noticiava que “as notícias pareciam boas quando foi divulgado que as candidaturas da UMa foram “aprovadas com sucesso nas diferentes fases eliminatórias” do PRR”. Contudo, “a candidatura à construção da Residência na Quinta de São Roque não passou à última fase, a da contratação do respetivo financiamento, dada a insuficiência do financiamento”. Alex Faria, então presidente da Direção da ACADÉMICA DA MADEIRA, “lamentou que o principal projeto da UMa tenha sido excluído dos contratos celebrados em setembro, ficando dependente, novamente, de um contrato suplementar”. O cenário foi alterado e o financiamento desejado acabou por se concretizar.

Juventude em discussão

O Inquérito Anual aos Finalistas da UMa revela que a empregabilidade e a independência financeira são as maiores preocupações dos jovens que terminam o curso, num contexto onde o elevado custo de vida, a dificuldade de acesso à habitação e a falta de oportunidades profissionais impulsionam a saída da Região, agravando a perda de talento qualificado e colocando em risco o futuro económico e social da Madeira.

Em abril de 2024, a própria Universidade reconhecia que a “exiguidade do calendário disponível e a elevada burocracia que envolve a concretização deste tipo de projetos criam dificuldades de implementação e execução do PNAES”, acrescentando que o “aumento exponencial dos custos associados ao setor da construção”, agravado pela condição insular e ultraperiférica da Região, obrigara ao reforço financeiro. O caso mais evidente foi a Quinta de São Roque, cuja primeira tentativa de contratação ficou sem efeito depois de a única proposta apresentada ter sido excluída por apresentar um preço superior ao preço base, obrigando ao lançamento de um novo concurso. Também a Rua da Carreira sofreu alterações, passando das 25 camas e 816 mil euros previstos na programação de 2022 para 26 camas e cerca de 1,17 milhões de euros. A Quinta de São Roque, inicialmente projetada com 200 camas e um investimento de 6,53 milhões, surge agora com 180 camas e um contrato de 7,69 milhões. Apesar dos constrangimentos acumulados, a situação evoluiu entretanto, com Nossa Senhora das Vitórias concluída e as empreitadas da Quinta de São Roque atualmente em curso, esperando estar concluída ainda em 2026. A residência da Rua da Carreira foi concluída no verão e aguarda pela sua inauguração.

Estas obras são uma pequena parte de uma transformação que está a mudar o alojamento universitário em Portugal. O PÚBLICO visitou novas residências e edifícios reabilitados em Braga, Coimbra e Aveiro, encontrando uma realidade bastante diferente da imagem tradicional destes espaços. O PNAES prevê 134 residências entre novas construções e reabilitações e representa um investimento superior a 500 milhões de euros. Fernando Alexandre, ministro da Educação, Ciência e Inovação, indicou que 73 deverão estar em funcionamento em setembro e outras 54 concluídas até ao final de dezembro. No total, os projetos deverão representar cerca de 17 mil novas camas face ao ano passado.

Em Braga encontra-se um dos exemplos de maior dimensão. A antiga Fábrica Confiança deu lugar à maior residência universitária do país, com 786 camas e um investimento de quase 30 milhões de euros financiado pelo PRR. Há quartos individuais e partilhados, estúdios, cozinhas comuns, salas de estudo, lavandarias e um ginásio. Para Mauro Lima, estudante da Universidade do Minho que anteriormente vivia noutra residência, a diferença é evidente. “Não tem nada a ver”, declarou o estudante ao PÚBLICO. A mudança tem também uma dimensão financeira, numa cidade onde um quarto no mercado privado ronda atualmente os 350 euros mensais.

Coimbra mostra outra face do programa. As residências R1 e R2 do Instituto Politécnico foram recuperadas depois de anos de degradação, numa intervenção de cerca de 3,5 milhões de euros que abrangeu 211 camas. Letícia Bilhões, que conheceu os edifícios antes das obras, recordou ao PÚBLICO os problemas anteriores, desde buracos no chão a infiltrações e portas que deixavam estudantes presos nas casas de banho. “Este ano têm tudo vedado. As portas da casa de banho são melhores e colocaram toalheiros nas paredes, que antes não tínhamos”, declarou a estudante. A transformação chegou às tubagens, ao isolamento térmico e à iluminação, agora regulada de acordo com as necessidades de cada espaço.

Em Aveiro, o investimento combina recuperação e construção. As Residências de Santiago estão a receber mais de 8 milhões de euros, somando financiamento do PRR e verbas próprias, para reabilitar 576 camas. No Complexo do Castro foram construídos cinco novos edifícios, com 322 camas e um investimento superior a 12 milhões de euros. A arquitetura procurou favorecer o contacto entre residentes, através de cozinhas envidraçadas e zonas de lazer partilhadas. O objetivo, refere o PÚBLICO, é evitar que “os estudantes se isolem no quarto” e fazer das residências espaços de comunidade, em vez de simples dormitórios.

A dimensão do investimento não elimina, contudo, a pressão que continua a existir sobre o alojamento estudantil. O próprio percurso dos estudantes ouvidos pelo PÚBLICO mostra quanto uma vaga numa residência pode condicionar a possibilidade de estudar longe de casa. Mauro Lima resumiu essa importância ao recordar os anos que passou em alojamento universitário. “Foi muito importante, porque os custos e o acolhimento são outros. Não tive, como muitos dos meus colegas, de passar por situações de ter de mudar de casa por causa dos preços”, declarou o estudante ao PÚBLICO. Na Madeira, onde uma das três intervenções da Universidade permanece em execução, será a entrada efetiva das novas camas no sistema que permitirá medir o impacto do investimento sobre a procura de alojamento pelos estudantes.

Luís Eduardo Nicolau
Com Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Salvador Freitas.

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