O ministro da Educação, Ciência e Inovação anunciou a intenção de reduzir, de duas para uma, as provas de ingresso exigidas na maioria dos cursos do ensino superior, revertendo a alteração introduzida em 2023. A proposta foi apresentada publicamente num contexto institucional e surge como resposta direta à quebra no número de candidatos e colocados observada no último concurso nacional de acesso.
A exceção a este princípio geral deverá ser aplicada a áreas consideradas de maior exigência específica, como Medicina e alguns cursos de Engenharia, onde continuarão a ser exigidas duas ou mesmo três provas de ingresso. Ainda assim, o ministro sublinhou que caberá sempre às instituições de ensino superior definir, dentro dos limites legais, o número de provas a exigir, reforçando a ideia de autonomia institucional.
Exaustão e falta de pertença são razões que levam ao abandono da formação superior
Relatório apresentado em julho, pela Fundação “La Caixa”, indica que a exaustão académica, um reduzido sentimento de pertença e fracos resultados académicos são os principais fatores de risco que levam ao abandono do ensino superior.
UMa com a maior queda de colocados do país
A variação entre os colocados nos dois últimos anos letivos indica que a queda da UMa foi de 25,1 %. Um
A decisão surge após um ano marcado por números particularmente negativos no acesso ao ensino superior. Em 2025, registou-se uma diminuição superior a 5300 colocados no concurso nacional, uma quebra sentida de forma mais intensa nos institutos politécnicos e nas instituições localizadas em regiões do interior do país, que viram muitas das suas vagas ficar por preencher.
O ministro reconheceu que a introdução da obrigatoriedade de duas provas de ingresso, associada às novas regras de conclusão do ensino secundário, teve um impacto direto na redução do número de candidatos. Apesar de defender a importância da exigência académica, considerou que a conclusão do ensino secundário deve, por si só, garantir condições suficientes para o acesso ao ensino superior: “não me parece que alguém que tenha concluído o secundário em Portugal não esteja em condições de aceder a um curso superior”, em declarações reproduzidas pelo PÚBLICO.
O aumento das propinas é “completamente irrelevante”
Em entrevista ao DINHEIRO VIVO, o novo reitor da Universidade Nova de Lisboa afirmou que o aumento das propinas é “completamente irrelevante” e defendeu que o verdadeiro obstáculo ao acesso ao ensino superior está no alojamento e nas condições de vida dos estudantes.
Falta de docentes trava crescimento do ensino superior
A escassez de professores, sobretudo em áreas estratégicas, está a limitar de forma séria a capacidade de expansão do ensino superior
Recorde-se que as alterações introduzidas em 2023 incluíram o fim do regime transitório da pandemia e o reforço do peso dos exames nacionais na nota de candidatura, passando a ser exigidas pelo menos duas provas de ingresso para muitos cursos. Estas mudanças foram inicialmente defendidas como um reforço da qualidade e da exigência, mas acabaram por gerar críticas generalizadas por parte das instituições, que as associaram à quebra de procura.
Apesar da intenção agora anunciada, o ministro admitiu que qualquer alteração ao modelo de acesso deverá ser objeto de um debate alargado e de uma discussão nacional. A proposta ainda terá de ser formalizada em diploma legal, num processo que promete reabrir um dos debates mais sensíveis e recorrentes do sistema de ensino superior português.
Luís Eduardo Nicolau
Com Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Joshua Hoehne.