Num artigo de opinião publicado na revista SÁBADO, Álvaro Rocha defende que “as nossas universidades foram capturadas por uma elite que, salvo raríssimas exceções, se revela profundamente medíocre”, alertando para um problema estrutural no ensino superior português. Segundo o autor, esta realidade tem consequências diretas na forma como o mérito é reconhecido, uma vez que “a mediocridade tende a reproduzir-se: promove os seus pares e penaliza o mérito”.
O texto centra-se particularmente no modelo de avaliação dos docentes universitários, que, apesar de apresentar uma primeira fase baseada em indicadores objetivos, acaba por ser influenciado por decisões posteriores. Rocha sublinha que, quando entram em ação as comissões de avaliação, “o sistema deixa de ser meritocrático e passa a ser vulnerável à arbitrariedade”, sobretudo devido à possibilidade de alterar pesos e critérios de avaliação com base em fundamentos pouco transparentes.
O futebol e o desporto separados
Mensalmente, a ACADÉMICA DA MADEIRA tem um espaço de opinião no JM Madeira . Ricardo Freitas Bonifácio, Presidente da Direção da ACADÉMICA DA MADEIRA, escreve este mês sobre as polémicas do Mundial de futebol.
Para ilustrar esta crítica, o autor apresenta um caso concreto em que um docente, inicialmente classificado como “Excelente”, viu a sua avaliação reduzida após intervenção de avaliadores. A situação levanta uma questão central no artigo: “como podem as nossas universidades permitir que a avaliação do mérito seja conduzida por quem, objetivamente, apresenta níveis de desempenho muito inferiores aos avaliados?”. Para Rocha, este tipo de situações revela fragilidades profundas nos mecanismos de escrutínio e na cultura institucional.
O artigo conclui com um alerta claro sobre as consequências deste modelo. Na ausência de mudanças, argumenta o autor, corre-se o risco de consolidar um sistema em que “o mérito é penalizado, a excelência é desincentivada e a mediocridade se consolida no topo das instituições”. Para Álvaro Rocha, esta não é apenas uma questão interna das universidades, mas um problema com impacto direto no desenvolvimento científico e no futuro do país.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Pexels Chokniti.
