A Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) divulgou, a 1 de agosto, os resultados provisórios do Concurso para Atribuição de Bolsas de Investigação para Doutoramento de 2025, com 1.550 bolsas propostas para financiamento, representando uma taxa de aprovação global de 37%. Neste concurso, serão atribuídas 1.000 bolsas no quadro da candidatura geral de contexto académico e 550 na linha específica em ambiente não académico, que promove a colaboração entre instituições de ensino superior e entidades externas, como empresas, organismos públicos e organizações do sector social. A FCT destaca que a linha específica registou um aumento de 22% nas bolsas atribuídas, refletindo a crescente procura por programas doutorais em contextos não académicos.
O investimento total previsto ascende a 133 milhões de euros, financiados pelo Orçamento do Estado e, sempre que aplicável, pelo Fundo Social Europeu através do Programa Demografia, Qualificações e Inclusão (PDQI). A partir desta edição, o processo de contratualização das bolsas passará a ser assegurado diretamente pelas instituições do Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SCTN), que se associaram às candidaturas desde a fase de submissão. O concurso mobilizou 537 avaliadores, distribuídos por 38 painéis de avaliação, responsáveis pela análise, seriação e atribuição das classificações às candidaturas admitidas.
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A maioria das bolsas (83%) será realizada integralmente em instituições portuguesas, 16% terão um formato misto, com períodos de investigação em Portugal e no estrangeiro, e apenas 1% serão realizadas integralmente fora do país. A FCT sublinha ainda a diversidade de nacionalidades dos candidatos propostos para financiamento, provenientes de 46 países, com destaque para os de nacionalidade brasileira, italiana, iraniana, chinesa e espanhola. As mulheres representam 58% dos candidatos selecionados, mantendo a tendência observada na edição anterior do concurso.
Os candidatos podem apresentar pronúncia em sede de audiência prévia de interessados caso discordem da proposta de decisão, estando os resultados finais previstos para o início de novembro. As bolsas poderão iniciar-se entre 1 de setembro de 2025 e 1 de agosto de 2026, com pagamento retroativo nos casos em que a contratualização seja formalizada após o início dos trabalhos de investigação. A FCT recomenda a consulta regular do seu site e do portal Euraxess para outras oportunidades de financiamento de formação avançada, incluindo as parcerias com Unidades de I&D e a iniciativa Doutor AP para a Administração Pública.
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O anúncio da extinção da FCT gerou uma onda de críticas e preocupação na comunidade científica, que teme que a fusão desta entidade com a Agência Nacional de Inovação (ANI) signifique um desvio das prioridades da ciência pública em favor de interesses empresariais e de curto prazo. A Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) classificou a medida como “um sinal alarmante”, alertando que esta reestruturação poderá “acelerar a instrumentalização da ciência em função do lucro”, comprometendo a autonomia e o papel crítico da investigação científica, num cenário que consideram ser uma repetição das políticas de austeridade aplicadas durante o período da Troika.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de NCI.
