No seu artigo de opinião no PÚBLICO, Joaquim Brigas interpreta a extinção da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) como uma decisão alinhada com a estratégia política do Governo de Luís Montenegro, centrada no crescimento económico e na coesão territorial. O autor considera natural que, num ciclo governativo orientado para a dinamização empresarial e o investimento nos territórios de baixa densidade, se privilegie a investigação aplicada em detrimento da ciência fundamental. “É totalmente lógico que […] se aposte mais na investigação aplicada do que em ciência pura”, defendeu, sublinhando que esta reorientação das prioridades políticas deve fortalecer a ligação entre as instituições de ensino superior e o tecido empresarial local.
Extinção da FCT gera críticas e alerta para riscos
Investigadores criticam a fusão da FCT com a ANI, alertando para a falta de consulta à comunidade científica e para os riscos de perda de autonomia e de foco na investigação fundamental.
Reforma do Estado extingue FCT e revoluciona estrutura da Educação
O Governo deu início a uma profunda reforma da Administração Pública com a extinção da FCT e de vários organismos da
Joaquim Brigas reforça a necessidade de as universidades e os politécnicos ajustarem os seus projetos às quatro áreas definidas pelo novo Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade: reindustrialização, defesa e segurança, deep tech e inteligência artificial nas PME. Criado para aproveitar verbas não executadas do PRR, este instrumento poderá ultrapassar os mil milhões de euros até ao final de 2026. Para o autor, o montante envolvido e os incentivos previstos, nomeadamente apoios a fundo perdido até 50% em regiões do interior, justificam uma viragem estratégica da ciência em Portugal em direção às aplicações empresariais e à valorização económica do conhecimento.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Sieuwert Otterloo.
