Na passagem para o novo ano, o professor Duarte Barral expressa cinco ambições para o futuro da ciência em Portugal, num artigo publicado pelo Público. O primeiro desejo centra-se na necessidade de aumentar o orçamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). “Quando deveríamos estar a convergir para um investimento em investigação e desenvolvimento (I&D) de 3% do produto interno bruto (PIB)… poderemos estar a afastar-nos dela ainda mais”, alerta o autor no seu artigo do Público, sublinhando o risco de retrocesso perante o corte anunciado para 2025.
Outro ponto destacado é a valorização dos recursos humanos, com especial atenção às carreiras científicas. “Não podemos continuar a ter investigadores doutorados com contratos sucessivos a termo”, critica Duarte Barral, defendendo contratos permanentes como medida essencial para garantir estabilidade aos profissionais altamente qualificados. Este aspeto é particularmente relevante num cenário de baixa atratividade das carreiras científicas.
Repositórios Científicos alcançam um milhão de documentos
O RCAAP celebra 16 anos de acesso aberto, alcançando um milhão de documentos agregados e consolidando-se como um pilar do conhecimento científico em Portugal.
FCT anuncia resultados provisórios do Programa RESTART
A FCT anunciou os resultados provisórios do Programa RESTART, que financiará 32 projetos de I&D para apoiar o regresso de investigadores/as
A imprevisibilidade dos concursos de projetos de I&D também mereceu atenção. Duarte Barral argumenta que “a periodicidade dos concursos tem de ser previsível e anual”, apontando como exemplo os Estados Unidos, onde as datas são consistentes ano após ano. Essa regularidade permitiria aos investigadores planear melhor os seus projetos e aumentar a taxa de sucesso, atualmente em níveis insatisfatórios.
O autor apela a um equilíbrio entre investigação fundamental e aplicada, criticando limites impostos em concursos recentes. “Claro que é bom que haja aplicação do conhecimento que é gerado… mas não se pode negligenciar a investigação fundamental”. Inspirando-se nas palavras de Louis Pasteur, Duarte Barral conclui que “não existem ciências aplicadas, apenas aplicações da ciência”.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Jj Ying.